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Inflação de setembro sobe 0,48% após queda em agosto

Fim do Bônus de Itaipu e adicional na conta de luz elevaram o IPCA

09 de Outubro de 2025 às 21:42
Cruzeiro do Sul [email protected]
Custo da energia contribuiu para alta do índice no mês passado
Custo da energia contribuiu para alta do índice no mês passado (Crédito: FABIO RODRIGUES POZZEBOM / ARQUIVO ABR)

Passado o bônus de Itaipu, creditado às contas de luz em agosto, a energia elétrica residencial teve uma alta de dois dígitos em setembro, turbinando assim a inflação oficial no País. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de um recuo de 0,11% em agosto para uma alta de 0,48% em setembro, informou ontem (9) o IBGE.

A taxa acumulada pela inflação em 12 meses até setembro ficou em 5,17%. A energia elétrica residencial aumentou 10,31% em setembro, maior pressão individual no IPCA do mês. O subitem foi responsável sozinho por cerca de 85% de toda a inflação de setembro, um impacto de 0,41 ponto porcentual. “O IPCA teria sido de 0,08% em setembro sem (a alta na) energia elétrica”, calculou Fernando Gonçalves, gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE.

A elevação na conta de luz foi decorrente do fim do desconto do Bônus de Itaipu (desconto médio de R$ 11,59), que tinha sido creditado nas faturas emitidas no mês de agosto. Em setembro, esteve em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 à conta de luz a cada 100 quilowatts (Kwh) consumidos. Além disso, houve ainda reajustes nas tarifas em São Luís, Vitória e Belém. No ano, a energia elétrica residencial acumula uma alta de 16,42%.

Em transportes, os recuos nos preços da passagem aérea (-2,83%) e do seguro de veículos (-5,98%) mais do que compensaram a pressão do aumento na gasolina (0,75%) em setembro.

Houve novo alívio também dos preços dos alimentos, que recuaram pelo quarto mês consecutivo. De junho a setembro, a queda acumulada em alimentação e bebidas foi de 1,17%. “É questão de oferta de alimentos. Estamos com oferta maior de alimentos in natura, então na alimentação no domicílio isso está trazendo pressão para baixo no preço dos alimentos”, justificou Gonçalves.

Em setembro, o custo dos alimentos comprados em supermercados para consumo no domicílio caiu 0,41%, com destaque para as reduções no tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%), batata inglesa (-8,55%) e arroz (-2,14%). As carnes também recuaram (-0,12%), assim como o preço do café (-0,06%).

“O café caiu pelo terceiro mês seguido, mas caiu menos em setembro (-0,06%). A gente apurou que a colheita de café foi menor que a esperada, e as exportações se sustentaram, o Brasil conseguiu outras praças de exportação”, disse o pesquisador do IBGE.

Por outro lado, houve aumentos em setembro nas frutas (2,40%) e no óleo de soja (3,57%). A alimentação fora do domicílio também subiu, alta de 0,11%: o lanche aumentou 0,53%, mas a refeição fora de casa caiu 0,16%. (Estadão Conteúdo)