Buscar no Cruzeiro

Buscar

Tarifaço de 50%

Brasil aciona OMC e aumenta tensão com Estados Unidos

EUA dobram tarifa de importação da Índia por causa do petróleo russo

06 de Agosto de 2025 às 22:15
Cruzeiro do Sul [email protected]
Carne e café brasileiros passaram a ser taxados em 50%
Carne e café brasileiros passaram a ser taxados em 50% (Crédito: NELSON ALMEIDA / AFP (17/7/2025))

O Brasil acionou ontem (6) a Organização Mundial do Comércio (OMC) para denunciar as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a muitos de seus produtos, alguns tão importantes quanto café e carne, em uma nova escalada na tensão com Washington.

De acordo com o Itamaraty, “ao impor as medidas, os Estados Unidos violam flagrantemente compromissos centrais assumidos na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados no âmbito da organização”. No comunicado, o governo brasileiro reitera sua disposição para negociação e espera que as consultas contribuam para solucionar a questão das tarifas.

Os Estados Unidos exportam mais para o Brasil do que importam, mas o presidente republicano Donald Trump desafiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo que considera uma “caça às bruxas” contra seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), julgado por uma suposta tentativa de golpe em 2022. Além disso, a Casa Branca classifica a política brasileira como uma “ameaça incomum e extraordinária”.

Com essas alegações, o governo dos EUA aumentou de 10% para 50% as tarifas alfandegárias de muitos produtos brasileiros desde ontem. Houve concessão de prazo adicional para os produtos embarcados em navios antes de 7 de agosto e que devem chegar aos Estados Unidos antes de 5 de outubro.

Trump excluiu das novas tarifas importações fundamentais para o Brasil, como suco de laranja, energia, aviões civis e seus componentes, fertilizantes, metais preciosos, pasta de celulose, entre outros. Mas incluiu o café e a carne.

Índia

O presidente norte-americano assinou também ontem um decreto que adiciona 25% às tarifas cobradas dos produtos indianos “em resposta à compra contínua de petróleo russo”. Essa nova tarifa aduaneira começará a ser aplicada dentro de três semanas e se soma a outra de 25%, que deve entrar em vigor hoje (7), segundo o decreto.

A nova sanção, no entanto, não será imposta aos bens sujeitos a tarifas específicas como o aço e o alumínio e sobre produtos farmacêuticos, uma indústria importante na Índia, e sobre os semicondutores. O governo indiano justifica sua dependência do petróleo russo, explicando que os “fornecedores tradicionais foram desviados para a Europa após a eclosão do conflito” na Ucrânia, quando os países europeus buscaram alternativas aos hidrocarbonetos russos.

Segundo o governo do país asiático, “já deixamos clara nossa posição sobre essas questões, incluindo o fato de que nossas importações são baseadas em fatores de mercado e realizadas com o objetivo geral de garantir a segurança energética de 1,4 bilhão de pessoas da Índia”. (Estadão Conteúdo, Agência Brasil e AFP)