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Sem crédito

Abecs proíbe utilização de cartões de crédito em bets

Restrição estava prevista para janeiro de 2025, mas foi antecipada

02 de Outubro de 2024 às 21:14
Cruzeiro do Sul [email protected]
Medida tenta evitar superendividamento de apostadores
Medida tenta evitar superendividamento de apostadores (Crédito: MARCOS SANTOS / USP IMAGENS)

A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) antecipou a proibição do uso de cartões de crédito para o pagamento em apostas e jogos on-line nas bets. A medida estava prevista pelo governo para janeiro de 2025, mas o setor passa a vetar esse uso desde agora.

A medida foi aprovada na terça-feira (1º), em reunião extraordinária da diretoria da Abecs. “A decisão da Abecs baseia-se na crescente preocupação do setor de cartões em torno da prevenção ao superendividamento da população e do crescimento das apostas on-line no País, que, entre outras consequências, pode gerar impactos significativos no endividamento e no consumo relacionado ao varejo e ao setor de serviços”, diz a Abecs, em nota.

A entidade afirma que o uso de cartão de crédito para pagar as bets se mostrou “inexpressivo”. Na terça, o vice-presidente da associação, Ricardo Vieira, afirmou à reportagem que menos de 1% do volume financeiro destinado às casas de apostas on-line no País é pago via cartões.

A Abecs defende que o uso de formas de pagamento atreladas a linhas de crédito, como o Pix financiado, para pagar as bets também seja proibido. “Como se sabe, o Pix é hoje o maior responsável pelos lances realizados em jogos on-line, tendo se mostrado um meio de acesso a linhas de crédito, como o cheque especial, e, por consequência, um importante vetor de endividamento.”

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, informou ontem (2) a abertura de uma ação de controle para acompanhamento do mercado de apostas esportivas. Dantas cita a necessidade de avaliação de impacto no poder de compra das famílias, bem como um monitoramento das ações propostas pelo governo federal para prevenir lavagem de dinheiro, o roubo de dados dos apostadores e o envolvimento de menores de 18 anos.

Essa ação ficará a cargo da Secretaria-Geral de Controle Externo do TCU. No mês passado, o Banco Central mostrou que 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram cerca de R$ 3 bilhões em bets via Pix, somente em agosto. (Estadão Conteúdo)