Mudança
Ministério deve propor volta do horário de verão
Ministro Alexandre Silveira disse que medida passa a ser realidade "premente"
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse ontem (16) que a pasta “muito provavelmente” deve propor à Casa Civil o retorno do horário de verão no País, sem mencionar data. Ele declarou também que “não há tempo” para “decretar” no curto prazo e, se ocorrer, será com um amplo planejamento.
Silveira disse que iria discutir com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) as medidas que vão fazer frente à seca e o impacto nos reservatórios.
“O horário de verão passa a ser uma realidade muito premente”, declarou ontem o ministro em entrevista à rádio Itatiaia (MG)a. “Temos que aumentar a segurança do Sistema Interligado Nacional e planejar 2026”, comentou.
Segundo Silveira, o retorno do horário de verão mira para duas frentes: a necessidade de segurança energética, para aliviar a demanda no horário de pico, e o impacto positivo, segundo a pasta, em áreas como comércio e turismo.
O ministro explicou que o horário de verão “dissipa” a necessidade do despacho adicional de térmicas no horário de pico (início da noite), quando há a falta das fontes intermitentes (energia solar e eólica) no período. “Não temos tempo para decretar (no curto prazo), mas temos um bom tempo para planejar o início do horário de verão. E, se for acontecer, vai ser de forma muito bem planejada”, afirmou.
De acordo com ele, há impactos de planejamento na vida das pessoas e, “inclusive, em órgãos públicos, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”. “Tem eleições neste ano, e as urnas já estão programadas”, disse.
Conta de luz
O ministro afirmou ainda que a conta de luz para o consumidor brasileiro já chegou ao “limite”. Ele também repetiu que não há necessidade de despacho adicional de termelétricas, que são mais caras e geram impacto na tarifa.
“Não haverá crise energética, ao contrário do que aconteceu com o governo anterior, em 2021, quando estivemos à beira do colapso”, declarou Silveira.
No atual governo, a pasta alega que houve um planejamento prévio, já considerando os efeitos da seca, para aumentar o nível dos reservatórios.
Em outra frente, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) conta um saldo superavitário da conta bandeira, estimado em R$ 9 bilhões em recursos via bandeira tarifária. Em 2021, não havia superávit nessa conta. “Já estamos no limite da conta de luz. Queremos evitar qualquer tipo de despacho, que chamamos de extra-formal das térmicas”, declarou. (Estadão Conteúdo)