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Macroeconomia

BC: efeitos de tragédia no RS persistirão por bastante tempo

02 de Setembro de 2024 às 22:00
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O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central (BC), Paulo Picchetti, disse que a alta de preços, principalmente de produtos agrícolas, decorrente da tragédia climática no Rio Grande do Sul já foi contida. Porém, ponderou, os efeitos sobre a macroeconomia das enchentes que atingiram diversas regiões do Estado vão persistir por bastante tempo.

Durante live do BC, Picchetti observou que a reconstrução do capital e das forças produtivas destruídas pelas inundações representa um aumento de demanda em dimensão diferente da imaginada inicialmente, por ser puxada por investimentos, e não por consumo, como se previa.

O diretor do BC ressaltou que grande parte do esforço de reconstrução do Rio Grande do Sul vai envolver incentivos públicos, com impacto nas contas públicas primárias tanto do governo central quanto do Estado. Esses estímulos, pontuou Picchetti, vão afetar a trajetória dos fundamentos macroeconômicos.

Ao falar sobre como tragédias ambientais inesperadas afetam a política monetária, Picchetti observou que, na medida em que a oferta é comprometida por mudanças climáticas, os preços sobem, atingindo assim o mandato fundamental do BC.

O diretor lembrou que o Rio Grande do Sul é responsável por 70% da produção nacional de arroz, e 40% da produção de trigo, de modo que a tragédia climática impactou os preços desses produtos. (Estadão Conteúdo)