Economia
Desconto em preço de carros movimenta setor
Programa eleva vendas em concessionárias, mas é temporário
As concessionárias de veículos tiveram aumento de vendas nos últimos dias e também maior movimentação de clientes em busca de informações sobre os descontos do programa do governo federal que reduz impostos para o setor automobilístico.
De acordo com o governo federal, os descontos no valor final dos carros incluídos no programa vão de R$ 2 mil a R$ 8 mil, podendo aumentar a depender dos critérios usados pelas fábricas e concessionárias. Para caminhões e ônibus, os descontos vão de R$ 33,6 mil a R$ 99,4 mil.
O programa será temporário, pois vai depender de recursos oferecidos pelo governo. Inicialmente foram liberados R$ 150 milhões, 30% do teto de R$ 500 milhões que poderão ser usados pelas empresas no abatimento de tributos para venda de carros mais baratos. “Na medida em que usarem os valores solicitados, as montadoras podem pedir créditos adicionais. Essa possibilidade se esgota quando o teto de R$ 500 milhões for atingido”, ressalta o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Para colocar o programa em prática, o governo federal optou pela antecipação da reoneração do diesel, com o aumento de R$ 0,11 por litro da tributação do combustível dentro de 90 dias. No total, a tributação deverá aumentar em R$ 0,35 com a reoneração restante entrando em vigor em janeiro. Originalmente, toda a tributação voltaria somente em 2024.
O professor e economista Geraldo Almeida avalia que, apesar da reoneração do diesel a partir de setembro, no geral o programa é positivo. Para ele, a combinação cambial, com o valor do dólar mais baixo, inflação menor, e a atual política adotada em relação aos preços dos combustíveis não deverão causar impacto negativo na economia.
O economista explica que a indústria automobilística é relevante para a economia e para garantir empregos no Brasil e, por isso, a medida tomada pelo governo federal, neste momento, é importante no sentido de trazer uma melhora nos índices econômicos.
Sobre a reoneração do diesel, Almeida afirma que é uma medida necessária por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, principalmente quando o governo federal reduz impostos. Deste modo, precisa ocorrer uma compensação. “Quando tira um tributo tem que compensar de outro lado”, ressalta o economista.
Para ele, o impacto da reoneração do diesel não deverá ser “grande” para o consumidor final, apesar do diesel ser fundamental sobretudo para o agronegócio no escoamento da produção. “Porém, é preciso ficar de olho no comportamento do câmbio e no controle da inflação para que o consumidor não seja penalizado com o preço do diesel, ou não terá sido uma boa medida, tirando de um lado e onerando do outro”, destaca.
Almeida também faz outra ressalva no sentido de que não o governo federal não pode ficar tentando levar a economia somente com benefícios, pois tais medidas, a longo prazo, podem trazer mais prejuízos do que benefícios para a economia nacional.
Oportunidade
Quem já estava pensando em comprar um carro novo deve se apressar e aproveitar o momento, pois os descontos oferecidos podem se esgotar rapidamente. Segundo o gerente de vendas da concessionária Abrão Reze (Volkswagen), de Sorocaba, Sérgio Barbosa, houve aumento nas vendas de carros da marca, de até R$ 120 mil, por conta da adesão da montadora ao programa.
Barbosa conta que, inicialmente, houve retenção nas vendas no fim de maio, logo após o anúncio sobre a medida. “Em seguida, logo após o feriado de Corpus Christi tivemos um excelente fluxo de loja, que praticamente dobrou por conta dos descontos oferecidos”, afirma. (Da Redação)