Economia
Mercadante assume comando do BNDES
Na cerimônia de posse na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ontem (6), Aloizio Mercadante voltou a falar em mudanças na Taxa de Longo Prazo (TLP), que baliza os financiamentos da instituição de fomento. Em vigor desde 2018, a TLP segue as taxas de mercado, diferentemente da TJLP, que vigorou desde 1994 e era definida pelo governo federal.
Segundo Mercadante, eventual mudança na TLP será debatida com o Congresso Nacional. “Não queremos e não estamos reivindicando padrões de subsídio no Orçamento, como no passado”, afirmou.
Mercadante voltou a criticar o nível da TLP. Segundo ele, a taxa está acima das verificadas no “custo da dívida pública”. “Hoje, a TLP tem custo financeiro acima do custo da dívida. Isso penaliza as pequenas e médias empresas”, afirmou.
Além de refutar a possibilidade de voltar a ter subsídios fiscais com os juros mais baixos do BNDES, ele ressaltou que não pretende que o banco de fomento dispute mercado com os bancos privados.
Eximbank
O novo presidente do BNDES também defendeu a atuação do banco como “Eximbank”, financiando o comércio exterior. Presente à cerimônia de posse, no Rio, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também defendeu essa atuação, citando inclusive o financiamento às exportações de serviços de engenharia, ou seja, obras no exterior.
Mercadante, por sua vez, foi cuidadoso ao associar o financiamento ao comércio exterior ao apoio do BNDES à indústria, ou seja, focado nas exportações de bens.
“Uma dimensão estratégica para o desenvolvimento são as exportações. O Brasil é a fazenda do mundo, mas não pode ser só a fazenda. Produtos industriais de alto poder agregado são importantes”, afirmou, citando os financiamentos à Embraer como um caso de sucesso. (Estadão Conteúdo)