Economia
‘Desenrola’ vai incluir pequenas empresas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o programa de renegociação de dívidas “Desenrola”, a ser criado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não vai se restringir às famílias, mas também atingirá pequenas empresas. “Em janeiro, programa para endividados será para pessoa física, mas haverá linhas para pessoa jurídica”, disse ontem sobre o programa que deve ser liderado pelos bancos públicos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Brasil vive hoje o paradoxo de ter uma inflação menor do que a dos Estados Unidos e de países europeus e, ao mesmo tempo, manter uma das maiores taxas de juros reais do mundo. Para ele, a taxa de juros no Brasil está em patamar “fora de propósito”.
“Olha o paradoxo que estamos vivendo. Uma situação completamente anômala: uma inflação comparativamente baixa e uma taxa de juros real (acima da inflação) fora de propósito para uma economia que já vem desacelerando”, afirmou. “Só não diz isso aquele que quer mal informar a população”, acrescentou, sem fazer referências diretas ao Banco Central (BC).
Haddad foi questionado como está sendo o diálogo dele com Roberto Campos Neto, presidente do BC, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e com mandato até 2024. A resposta de Haddad foi direta: “Eles sabem disso. Estão acompanhando o dia todo.”
O ministro da Fazenda sinalizou ontem que a correção da faixa de isenção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) só entrará em vigor no ano que vem. Ele disse que não pode fazer a correção este ano devido ao princípio da anualidade. Por essa regra, uma medida de aumento do IR só pode entrar em vigor no ano seguinte. No entanto, para reduzir imposto não é necessário esperar a virada do ano.
A promessa de correção do limite de isenção da tabela do Imposto de Renda para cinco salários mínimos (R$ 6,6 mil) foi feita por Haddad em 2018, quando era candidato nas eleições presidenciais. Lula repetiu a promessa na campanha do ano passado, apesar das recomendações de economistas do PT de que a medida traria grande perda de arrecadação e aumentaria a chamada “regressividade” do sistema tributário.
O ministro da Fazenda afirmou ainda que a decisão de estender a desoneração tributária sobre gasolina e etanol por 60 dias foi adotada em devido ao tempo que será necessário para que o senador Jean Paul Prates assuma a Petrobras. Na medida provisória, os impostos federais sobre diesel, biodiesel e gás de cozinha foram mantidos em zero até o fim deste ano. (Estadão Conteúdo e Redação)