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Economia

Brasil vê crescimento da população desacelerar

Total de habitantes é de 207 milhões, informa o IBGE

29 de Dezembro de 2022 às 00:01
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Número de jovens vem diminuindo e o de idosos aumentando
Número de jovens vem diminuindo e o de idosos aumentando (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO / ARQUIVO JCS)

O Brasil tem 207.750.291 habitantes, conforme estimativa com base nas prévias do Censo, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem. Após sucessivos atrasos, os primeiros números definitivos do Censo devem sair só em março. O total fica abaixo dos 213 milhões antes projetados para a população atual, o que se explica, dentre outros fatores, pela pandemia e pela distância do Censo anterior, de 2010. Para especialistas, a desaceleração no crescimento do País pode significar a antecipação do fim do bônus demográfico -- quando há uma grande faixa da população em idade para trabalhar.

Em linhas gerais, a transição demográfica tem duas fases: o bônus ajuda a economia. Já o ônus impõe desafios, pois é caracterizado por uma maior quantidade de idosos -- o que tira impulso da economia.
Sem esse impulso, para acelerar o crescimento econômico e se desenvolver, o País tem de, necessariamente, fazer crescer a produtividade -- desafio no qual tem falhado até aqui. “Sem dúvida, a redução do ritmo de crescimento antecipa um pouco o fim do bônus”, diz José Eustáquio Diniz Alves, professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, ligada ao IBGE. Para ele, ainda “é possível aproveitar o 2º bônus (que tem a ver com a produtividade) e o 3º bônus (o da longevidade)”.

A transformação também exige políticas públicas voltadas para os mais velhos, como asilos, preparação da rede de saúde, despesas previdenciárias etc. Já a queda na quantidade de crianças e adolescentes pode alterar o foco de políticas educacionais, como aproveitar o menor número de alunos para oferecer ensino integral.

Por enquanto, a sinalização sobre eventual fim do bônus está dada apenas pelo ritmo do crescimento populacional, já que as informações prévias do Censo 2022 não incluem a distribuição da população pelas faixas etárias. De acordo com o diretor de Pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo, a diferença entre o projetado (213 milhões) e o estimado agora é “muito comum” e já ocorreu outras vezes. “No Censo de 1980, tínhamos um ‘Maranhão’ a menos”, afirma ele.

Segundo o diretor, eventuais problemas nos censos anteriores, as mortes causadas pela pandemia e a defasagem em relação ao Censo 2010 agravam a discrepância. (Estadão Conteúdo)