Economia
Dólar cai e Bolsa sobe com menor diferença em pesquisas
Mercado vê possibilidade de atual política econômica continuar
O dólar encerrou a sessão de ontem cotado a R$ 5,2175, em queda de 1,08%. O real apresentou não apenas o melhor desempenho entre divisas emergentes como liderou os ganhos em relação ao dólar considerando as moedas mais relevantes do mundo. Operadores identificaram entrada de capital estrangeiro e desmonte de posições defensivas no mercado futuro após pesquisas eleitorais mostrarem, em sua maioria, quadro de empate técnico entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Palácio do Planalto.
O Ibovespa se manteve em alta mesmo com sinal negativo das bolsas em Nova York, com as estatais Petrobras e Banco do Brasil brilhando. O índice emendou o quarto ganho seguido ontem, em alta de 0,77%, aos 117.171,11 pontos, colocando o avanço da semana até aqui em 4,55% e o do mês a 6,48%. Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 1,412 bilhão na bolsa doméstica no pregão da última terça-feira, 18, justamente no dia em que circularam as primeiras pesquisas revelando estreitamento da diferença entre Lula e Bolsonaro.
“O Ibovespa se descolou aqui, muito em cima das pesquisas de intenção de voto, que nos levantamentos mais recentes têm mostrado redução da distância entre Lula e Bolsonaro. São dois presidentes já bastante conhecidos do mercado, e serão bem recebidos, mas a resposta a uma eventual vitória do atual presidente pode ser mais perceptível no câmbio e na Bolsa, especialmente nas ações de estatais, onde ainda se sente um risco maior de ingerência no caso de vitória da oposição, pelo histórico”, diz Rodrigo Jolig, CIO da Alphatree Capital.
Para Jolig, a reação do mercado às pesquisas é similar à observada após o resultado do primeiro turno das eleições, quando houve formação de um Congresso mais conservador e a avaliação de que Lula, se eleito, teria menos espaço para a adoção de medidas heterodoxas.
“O mercado tem uma preferência por Bolsonaro, que representa continuidade com Guedes (Paulo Guedes, ministro da Economia). Já a eleição de Lula traz incertezas para a política econômica”, afirma Jolig, que não vê, contudo, um ambiente “desastroso” para o Brasil seja qual for o vencedor do pleito presidencial. “Os maiores riscos vêm do exterior, com a alta de juros nos Estados Unidos e a crise energética na Europa.”
Para o gestor, os ativos brasileiros e o real devem ter um desempenho melhor do que os demais emergentes daqui para frente, dado o crescimento local que “vem surpreendendo para cima” e a taxa de juros em nível bastante elevado. (Estadão Conteúdo)