Economia
IPCA marca 3ª deflação mensal consecutiva
Inflação oficial apresentou uma queda de 0,29% em setembro, puxada principalmente pela gasolina
Os preços na economia brasileira recuaram em setembro, pelo terceiro mês consecutivo, e isso levou alguns economistas a cortar sua projeção para a inflação no ano. Mais uma vez, os combustíveis puxaram a deflação, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,29% no mês passado -- índice recorde para o mês, após recuo de 0,68%, em julho, e de 0,36% em agosto.
Como resultado, a taxa acumulada em 12 meses caiu de 8,73%, em agosto, para 7,17%, ainda acima da meta de inflação determinada para este ano (de 3,5%, com tolerância até 5%). Pelos dados do IBGE, o preço do combustível acumulou uma queda de 31,54% de julho a setembro, refletindo a desoneração promovida pelo governo federal.
Após a divulgação do número de setembro, a LCA Consultores cortou sua projeção para 2022, de 5,8% para 5,5%, enquanto o banco Credit Suisse reduziu sua estimativa de 6,3% para 5,6%. Já Alexandre Lohmann, estrategista da gestora de recursos Constância Investimentos, chegou a dizer que a dinâmica atual dos preços poderia levar o IPCA para patamar inferior ao do teto da meta.
“Até alguns meses atrás, isso seria uma coisa totalmente louca. Agora, passou de totalmente louca para possível se houver surpresas positivas, como mais quedas da gasolina ou um impacto forte da Black Friday”, argumentou Lohmann.
A queda nos preços da gasolina, decorrente tanto do decreto de redução do ICMS quanto de cortes sucessivos nos preços das refinarias praticados pela Petrobras, foi fundamental para o resultado negativo no terceiro trimestre do IPCA.
Embora tenha havido contribuição também das reduções no custo da energia elétrica e dos serviços de comunicação, ambos igualmente sob influência do decreto de corte de impostos, a gasolina é o item de maior peso no orçamento das famílias. O preço do combustível acumulou queda de 31,54% de julho a setembro, uma contribuição negativa de 2,13 pontos porcentuais para o IPCA do período, calculou o IBGE. Ou seja, se o preço da gasolina tivesse permanecido estável, o IPCA teria subido, confirmou André Almeida, analista do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.
O IPCA acumulou uma deflação de 1,32% nos últimos três meses, a maior queda trimestral da série histórica, iniciada em janeiro de 1980. A última sequência de três deflações seguidas pelo IPCA tinha ocorrido em 1998.
Em setembro, a gasolina caiu 8,33%, enquanto o etanol, 12,43%. Houve recuo também nos preços de gás veicular e óleo diesel.
Nos alimentos, os preços do leite longa vida recuaram 13,71%, embora ainda acumulem alta de 36,93% em 12 meses. Em setembro, houve redução também nos preços do óleo de soja (-6,27%), enquanto a cebola subiu 11,22%. (Estadão Conteúdo)