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Economia

Opep corta produção de petróleo para controlar preço

Contratos fecharam em alta. Nos Estados Unidos há temor com a inflação

06 de Outubro de 2022 às 00:01
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Representantes de países membros da organização de exportadores fizeram anúncio ontem
Representantes de países membros da organização de exportadores fizeram anúncio ontem (Crédito: VLADIMIR SIMICEK / AFP (5/10/2022))

Os contratos futuros de petróleo registraram ganhos, apoiados pelo anúncio de ontem, da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de que cortará sua produção em 2 milhões de barris por dia (bpd). Os Estados Unidos reagiram ao fato com liberação de reservas estratégicas, mas isso não reverteu o movimento do mercado nesta quarta.

Esse é o maior corte desde abril de 2020, quando a pandemia começou. O grupo ainda informa que o acordo de cooperação atual foi estendido até 31 de dezembro de 2023.

Em comunicado, a Opep+ justificou a decisão de cortar a oferta “à luz da incerteza que envolve as perspectivas econômicas globais e do mercado de petróleo, e da necessidade de aprimorar a orientação de longo prazo para o mercado de petróleo”.

O dia foi de volatilidade no mercado da commodity, com recuo nas primeiras horas, após duas sessões de ganhos. Os contratos reagiram ainda pela manhã, apoiados pela notícia de que os Emirados Árabes Unidos apoiavam a proposta de Arábia Saudita e Rússia de cortar a produção do grupo de 1 milhão a 2 milhões de bpd. O fôlego, porém, durou pouco e o óleo voltou a cair, sob pressão do dólar forte.

O governo dos Estados Unidos reagiu logo. A Casa Branca disse que o presidente Joe Biden estava “desapontado” e reforçou pedidos para que empresas reduzam os preços dos combustíveis nas bombas. Os Estados Unidos ainda decidiram liberar 10 milhões de barris de suas reservas estratégicas em novembro.

A Opep+ disse que sua atuação não traz perigos ao mercado de energia, com a Arábia Saudita argumentando que a prioridade é “estabilizar os preços” e “dar orientação aos mercados”.

Rússia

Ainda no noticiário, a Rússia afirmou que não entregará petróleo à União Europeia se não forem respeitados os preços de mercado. A UE articula para tentar impor um teto ao preço do petróleo russo, em meio a sanções contra Moscou pela guerra na Ucrânia. Ontem, embaixadores dos países da UE chegaram a um acordo sobre novas sanções à Rússia, que incluem o transporte marítimo de petróleo.

A decisão da Opep pode minar um plano do Grupo dos Sete países ricos (G7) para limitar o preço do petróleo russo no mercado global, uma parte fundamental da batalha econômica do Ocidente com Moscou.

A analista Roberta Caselli, da Global X, avalia que a notícia pode renovar preocupações sobre a inflação. Mas a redução de fato concretizada deve ser de menos de 1 milhão de bpd, considera a analista, lembrando que alguns países já têm produzido bem abaixo de suas cotas, portanto estariam perto de cumprir as novas diretrizes da Opep. (Estadão Conteúdo e Redação)