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Economia

Abrainc vê incerteza no mercado imobiliário

27 de Março de 2022 às 00:01
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Inflação e aumento nas taxas juros desaceleraram vendas.
Inflação e aumento nas taxas juros desaceleraram vendas. (Crédito: PEDRO NEGRÃO / ARQUIVO JCS)

As vendas e os lançamentos de imóveis residenciais devem crescer no patamar de um dígito em 2022 na comparação com 2021, de acordo com estimativa do presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França.

Em 2021, os lançamentos de imóveis cresceram 27% em 2021 na comparação com 2020 e totalizaram 153,7 mil unidades. As vendas líquidas (excluindo os distratos) subiram 4,5% e chegaram a 126,7 mil unidades.

O executivo ponderou que o cenário macroeconômico está repleto de incertezas, principalmente com a eclosão da guerra na Ucrânia e seus impactos sobre as cadeias globais de suprimentos. Ainda assim, ele afirmou estar confiante no avanço do setor neste ano. “É difícil fazer previsões para este ano. Várias indústrias estão evitando previsões. Posso dizer que teremos crescimento de um dígito para lançamentos e vendas, isso sem sombra de dúvidas”, afirmou na quarta-feira, durante entrevista coletiva à imprensa.

O presidente da Abrainc citou uma pesquisa feita com empresários da construção em que mais de 45% manifestaram intenção de expandir os lançamentos e as vendas acima de 10% em 2022. Entretanto, a pesquisa foi feita antes de a guerra começar no leste europeu, o que aumentou o sentimento de cautela.

França elogiou as modificações recentes no Casa Verde e Amarela (CVA), com aumento no valor máximo dos imóveis enquadrados no programa, bem como a elevação dos subsídios para as famílias interessadas em fechar negócios. “O governo agiu rápido”, comentou, afirmando que essa ação deve se traduzir em estímulos para continuidade dos lançamentos de novos projetos.

Ele ainda admitiu que tem percebido uma desaceleração nos negócios desde os últimos meses do ano passado, como resultado do aumento da inflação e das taxas de juros.

Mas ponderou que a velocidade de vendas estava muito alta nos trimestres anteriores, com empreendimentos inteiros sendo vendidos em poucas semanas após os lançamentos. O novo patamar de liquidez, segundo ele, é uma “volta à normalidade”. “Estamos vendo uma curva de velocidade de vendas menor, mas nada assustador”, disse.

Segundo pesquisa da Abrainc, os estoques de imóveis (na planta, em obras e recém-entregues) seriam completamente comercializados em 15,7 meses dentro da velocidade de vendas atual. (Estadão Conteúdo)