Economia
Presidente do BC prevê pico da inflação em abril
Depois do mês que vem, a tendência é de queda de preços, diz Campos Neto
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, previu ontem que o pico da inflação em 12 meses ocorrerá em abril deste ano, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltando a recuar a partir de então. De acordo com os analistas de mercado ouvidos semanalmente pelo BC na Pesquisa Focus, a inflação deve ter alta de 0,99% em março e 0,88% em abril. Para maio, porém, os economistas esperam uma deflação de 0,20%.
“Falando em inflação brasileira, devemos chegar ao pico em abril, e voltar a cair. Estimamos que o número de curto prazo seja até um pouco mais alto do que tínhamos imaginado inicialmente”, afirmou, em seminário sobre regras fiscais organizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Campos Neto enfatizou que o Brasil tem se diferenciado de outros países no combate à inflação, com um movimento mais forte de aperto monetário. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic (a taxa básica de juros) em 1,00 ponto porcentual, para 11,75% ao ano e indicou uma nova alta de mesma magnitude na reunião de maio.
“O Brasil tem sido mais atuante em uma inflação que entendemos ser mais persistente. A inflação contaminou os núcleos e hoje está acima da meta em serviços, comércio e indústria”, completou o presidente do BC.
Guerra
Campos Neto afirmou que o Brasil pode se beneficiar dos efeitos do choque da guerra envolvendo Rússia e Ucrânia se o País tiver fertilizantes para a produção de alimentos, com a alta dos preços. Esta é a primeira vez que o presidente da autoridade monetária se manifestou publicamente sobre o conflito no Leste Europeu.
“O Brasil não se inseriu nas cadeias globais de valor durante grande parte do período de especialização, e temos agora oportunidade com a redivisão das cadeias globais para estarmos muito mais presentes. Há uma oportunidade secular para o Brasil, se tiver as políticas certas, para entrar nas cadeias globais de valor. O que está acontecendo no mundo é grande oportunidade para o Brasil”, considerou.
O presidente do Banco Central também disse que o conflito entre Rússia e Ucrânia resultou em uma grande crise energética mundial, intensificando os problemas da pandemia. (Estadão Conteúdo)