Economia
Bolsonaro admite possibilidade de trocar presidente da Petrobras
O presidente da República, Jair Bolsonaro, considerou ontem a hipótese de demitir o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna. “Existe a possibilidade, todo mundo pode ser substituído se não estiver fazendo trabalho a contento”, declarou o chefe do Executivo em entrevista à TV Ponta Negra, afiliada do SBT no Rio Grande do Norte. “Todos podem ser trocados por falha ou omissão.”
A declaração vem em meio às tensões entre governo e Petrobras após o reajuste dos combustíveis anunciado pela estatal na semana passada, que tem o potencial de prejudicar a imagem do presidente em ano eleitoral.
Bolsonaro ainda elevou o tom das críticas à estatal. “Petrobras se transformou em Petrobras Futebol Clube, clubinho que só pensa neles, jamais no Brasil, até mesmo repasse para o gás de cozinha, impensável, fizeram também”, disse ele na entrevista, gravada no Palácio do Planalto e exibida ontem à tarde.
“Para mim, é uma empresa que poderia ser privatizada hoje”, acrescentou Bolsonaro, reassumindo a tentativa de livrar o governo do ônus político do reajuste. “Não posso interferir. Se pudesse interferir, as decisões seriam outras”. Por outro lado, Bolsonaro destacou que Silva e Luna está “amarrado em legislação”.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), voltou ontem a criticar o aumento no preço dos combustíveis anunciado na semana passada pela Petrobras. O parlamentar disse a jornalistas que a estatal deveria recuar do aumento porque o preço do barril de petróleo no mercado internacional e o dólar estão caindo.
“Nós estamos com o petróleo baixando e o dólar baixo. E a cobrança é: a Petrobras agora vai baixar o combustível? O óleo diesel é mais barato fora (do País) do que aqui. Nós vamos ter redução de preço?”, questionou Lira. “O barril baixou. O barril sobe, a gente aumenta. O barril baixa, a gente não baixa? Então, é importante que a Petrobras recue o preço e do aumento que deu, porque o dólar está caindo e o barril está caindo, são os dois componentes que fazem a política de preços da Petrobras”, acrescentou.
Na segunda-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também criticou a Petrobras. Ele afirmou que a empresa tem “função social” e precisa participar do esforço para a redução do preço dos combustíveis no País.
Na semana passada, a Petrobras anunciou um aumento de 18,7% na gasolina, de 24,9% no diesel e de 16% no gás de cozinha, para recuperar uma defasagem em relação aos preços no mercado internacional.
Ontem, o contrato mais líquido do petróleo do tipo Brent, usado como referência pela estatal, fechou em baixa de 1,89% (US$ 1,89) na Intercontinental Exchange (ICE), a US$ 98,02. Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa devido a desdobramentos da guerra na Ucrânia. A Rússia indicou estar aberta a aceitar a possibilidade de um modelo de desmilitarização da Ucrânia que preserve o exército local e assegure status neutro em relação à Otan. Além disso, uma reportagem do Financial Times informou que os dois lados trabalham em um plano de paz com essas propostas. (Estadão Conteúdo e Redação)