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Economia

Prévia da inflação bate recorde em setembro

IPCA-15 subiu 1,14% no mês e superou os 10% no acumulado de 12 meses

25 de Setembro de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo [email protected]
Gasolina teve alta de 2,85% e a energia elétrica, 3,61%, de acordo com o IBGE.
Gasolina teve alta de 2,85% e a energia elétrica, 3,61%, de acordo com o IBGE. (Crédito: VINICIUS FONSECA / ARQUIVO JCS (22/10/2020))

A escalada de preços dos combustíveis e da conta de luz, que já vem apertando o orçamento das famílias brasileiras nos últimos meses, fez a prévia da inflação oficial subir forte e superar os 10% no acumulado dos últimos 12 meses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) avançou 1,14% em setembro, a maior alta para o mês de setembro desde 1994, início do Plano Real. O dado, que considerou os preços coletados entre 14 de agosto e 14 de setembro, foi divulgado ontem pelo IBGE.

Diante das declarações recentes do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, de que a política monetária não alteraria seu “plano de voo” em função de cada novo dado de inflação, analistas preferiram seguir apostando na manutenção do ritmo de alta da Selic, a taxa básica de juros, mas reconheceram que aumentou a pressão sobre a autoridade monetária. Na quarta-feira, o BC anunciou alta de 1 ponto porcentual, para 6,25% ao ano, e informou que pretende repetir a dose em outubro.

Para Daniel Lima, economista do banco ABC Brasil, os números mostram um cenário indigesto para o BC, pois a composição do IPCA-15 de setembro veio ruim em todos os aspectos, seja porque a elevação de preços está difundida pelos diversos produtos e serviços pesquisados, seja porque os núcleos, ou seja, o cálculo da inflação que exclui as maiores variações, também estão acelerando. “A leitura geral desse IPCA-15 é de um número desfavorável: a média dos núcleos, a difusão, todas as categorias de bens industriais, serviços, preços administrados e alimentação no domicílio mostrando aceleração”, disse Lima.

O economista Homero Guizzo, da corretora Guide Investimentos, descreveu os dados do IPCA-15 de setembro como “assustadores”. “Em outras partes do ano, conseguimos identificar alguns ‘poréns’ nos números altos de inflação, como o índice geral pressionado por algum choque concentrado. Hoje, é mais difícil. Não podemos recorrer a esse argumento. Quando olhamos a abertura, tem pressão de todos os lados. Não há nenhuma trégua”, disse o economista.

Em setembro, sozinhas, a gasolina e a energia elétrica foram os itens com maior impacto no IPCA-15. A gasolina teve alta de 2,85% no mês e acumula um salto de 39,05% em 12 meses. Os combustíveis vêm encarecendo por causa da alta das cotações do petróleo e do dólar.

Já a conta de luz, que subiu 3,61% no IPCA-15 de setembro, está mais cara por causa da crise hídrica. Sem chuvas, os reservatórios das usinas hidrelétricas, principal fonte de geração no País, chegaram aos níveis mínimos históricos, exigindo o acionamento de usinas térmicas, com custo operacional maior. (Estadão Conteúdo)