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Economia

Inflação e desemprego seguram PIB

Resultado do 2º trimestre trouxe uma onda de revisões para baixo nas projeções do fechamento do ano

02 de Setembro de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo e Redação
Houve melhora em serviços, mas queda na indústria e agro.
Houve melhora em serviços, mas queda na indústria e agro. (Crédito: MARCELLO CASAL JR. / ARQUIVO AGÊNCIA BRASIL)

Os efeitos da alta da inflação e do mercado de trabalho precário afetaram o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, que encolheu 0,1% na comparação com o trimestre anterior. O resultado interrompe três trimestres seguidos de crescimento da economia e provocou uma onda de revisões para baixo nas projeções para o fechamento do ano. Os analistas ouvidos em levantamento do Projeções Broadcast apostavam em uma alta de 0,2% no segundo trimestre.

Entre as instituições que já reduziram suas estimativas para o PIB em 2021, estão Goldman Sachs (de 5,4% para 4,9%), JPMorgan (5,5% para 5,2%), Fundação Getúlio Vargas (5,2% para 4,9%), Banco Mizuho (5,5% para 5,2%) e Banco Original (5,5% para 5,3%). Já Itaú Unibanco, XP Investimentos e Banco Inter mantiveram por ora suas projeções -- de 5,7%, 5,5% e 5,3%, respectivamente --, mas atribuíram viés de baixa ao número.

Se, por um lado, o avanço da vacinação contra a Covid-19 deve provocar alguma “normalização” em serviços afetados pelas restrições ao contato social, por outro a economia deverá ser afetada negativamente pela crise hídrica, inflação e quebra de safra, enumera Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro, do Ibre/FGV.

“Quando olhamos para frente, o que vemos são crescimentos medíocres de 2%”, afirmou o ex-presidente do Banco Central e atual sócio da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola, que espera uma alta de 4,5% no PIB neste ano, seguida de expansão de 2% a 2,2% no ano que vem.

Entre as más notícias que marcaram o segundo trimestre de 2021, estão os efeitos das turbulências políticas -- que persistem e ameaçam os resultados futuros da economia --, a estiagem e problemas na cadeia produtiva.

Pelo lado da oferta, a escassez de insumos e os prejuízos na lavoura provocados por distúrbios climáticos levaram a perdas na indústria (-0,2% ante o primeiro trimestre) e na agropecuária (-2,8%). Houve melhora no setor de serviços (0,7%), mas ainda insuficiente para impulsionar o setor de volta ao nível pré-pandemia.

Sob a ótica da demanda, o setor externo contribuiu para evitar uma perda maior na economia, graças aos avanços nas exportações e queda nas importações, ao passo que o consumo das famílias, que responde por mais de 60% do PIB, ficou estagnado. A despeito da reedição do auxílio emergencial pelo governo, o poder de compra das famílias vem sendo prejudicado pela inflação e pelo aumento dos juros, além das dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho, citou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A inflação já vinha atrapalhando o desempenho do PIB brasileiro mesmo antes do segundo trimestre, afirmou Rebeca. No primeiro trimestre, o consumo das famílias já tinha ficado estável em relação ao trimestre imediatamente anterior, com ligeira alta de 0,1%. (Estadão Conteúdo e Redação)