Economia
Volta de investimentos é mais rápida do que em outras crises
Avaliação do Ministério da Economia, se baseia em pesquisa
Na retomada econômica atual após a recessão provocada pela pandemia da Covid-19, a recuperação dos investimentos das empresas tem sido mais forte do que nas crises passadas, e a expectativa do governo é que o ritmo se mantenha nos próximos meses. Após um ano do pior impacto da pandemia sobre a produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, os dados mostram que a recuperação do investimento tem se consolidado em vários setores e se espalhado em todas as regiões do País e já atingiu o mesmo porcentual máximo de difusão observado antes da crise.
Essa é a radiografia do comportamento dos investimentos no País apresentada pelo Ministério da Economia em estudo que procurou responder à pergunta: o Brasil vai retornar à tendência de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) anterior à crise da Covid-19 ou a recuperação vai se transformar num “voo de galinha”?
Elaborado pelos técnicos da Secretaria de Política Econômica (SPE), o relatório indica que a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) -- o quanto as empresas aumentam de investimentos em máquinas e equipamentos, por exemplo -- voltou para o nível pré-crise em quatro trimestres, enquanto na recessão da crise global financeira de 2008-2009, o investimento retornou para o patamar anterior em cinco trimestres.
O estudo chama a atenção para o fato de que a retomada do investimento acontece sem o empurrão dos bancos públicos, como BNDES e Caixa, e sim com financiamento pelo setor privado, inclusive via emissões de títulos das empresas, como debêntures.
“O crescimento está retomando o nível pré-crise, e o principal motor para a recuperação da recessão de 2020 tem sido o investimento”, diz o subsecretário de Política Macroeconômica, Fausto Araújo Vieira. Segundo ele, a tendência de continuidade de alta do investimento está ancorada na expectativa de investimento dos empresários manifestada em pesquisas de sondagens empresariais para os próximos seis meses. Os dados da construção reforçam essa expectativa.
“Esse movimento está relacionado aos efeitos das medidas estruturais e à queda da taxa de juros real”, avalia. O relatório lista cada uma das medidas principais, incluindo reformas estruturais e as relacionadas ao mercado de capitais. “O juro menor dá espaço para o setor privado emprestar sem o governo estar no meio”, destaca.
Os dados do Ministério da Economia mostram também que houve aumento da poupança, mesmo durante a crise, o que não acontecia nas recessões anteriores. Além disso, o aumento dos investimentos tem se espalhado em todas as regiões, com uma ampliação da produção de bens de capital em ritmo superior ao crescimento da produção industrial. (Estadão Conteúdo e Redação)