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Economia

Custo com térmicas chega a R$ 13,1 bilhões

Energia é mais cara que a fonte hidrelétrica e despesa será incluída nas contas a partir do ano que vem

13 de Julho de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo e Redação
Aumento de gastos com termelétricas é uma das medidas para reter água nos reservatórios.
Aumento de gastos com termelétricas é uma das medidas para reter água nos reservatórios. (Crédito: DIVULGAÇÃO ENEVA)

O uso de usinas termelétricas por causa da escassez de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do País deve custar R$ 13,1 bilhões até novembro deste ano aos consumidores, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Em função da crise hídrica, o governo autorizou o uso de todas essas usinas, até mesmo as mais caras, para garantir o abastecimento de energia no País. A despesa bilionária será embutida nas tarifas de energia no próximo ano.

A estimativa atual representa um aumento de 45% no valor previsto em junho pelo MME, de R$ 8,99 bilhões. Esse montante resultaria em um aumento adicional de 5% no custo da energia, a ser repassado para as tarifas no próximo ano. A pasta não informou a nova estimativa de impacto do custo das térmicas nas tarifas, que deve ser ainda mais alta. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) diz não ter feito os cálculos para saber qual o impacto nas contas.

O custo da geração de energia também é repassado aos consumidores por meio das bandeiras tarifárias. Com o agravamento da crise hídrica e a falta de perspectiva de chuvas, a Aneel reajustou em 52% a taxa embutida atualmente nas contas de luz. A chamada bandeira vermelha patamar 2 passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Esse não é, porém, o único reajuste programado para as bandeiras nos próximos meses. A agência discute uma segunda correção de valores, que prevê que a bandeira vermelha patamar 2 pode ser elevada para R$ 11,50 a cada 100 kWh consumidos. A avaliação é que o reajuste já aprovado não será suficiente para cobrir os custos das térmicas. Há também uma preocupação para evitar um déficit na chamada “conta bandeiras”, já que isso também se reflete em pressão nas tarifas em 2022.

Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, classificou o aumento da bandeira tarifária como uma “consequência da crise hídrica” e afirmou que as térmicas dão mais segurança ao fornecimento de energia. “Essas bandeiras tarifárias significam que o custo da energia ficou mais caro e essa energia tem de ser paga. É isso que o consumidor vai ter de arcar com o custo”, disse em entrevista ao programa Agenda Econômica, da TV Senado.

Segundo o MME, o aumento dos gastos com o uso de térmicas é resultado de medidas adotadas para reter mais água nos reservatórios. “O custo adicional de despacho termoelétrico esperado até novembro aumentou em razão das medidas de flexibilização adotadas, que têm permitido o maior armazenamento de água nos reservatórios e, por consequência, a maior utilização de termelétricas para atendimento à demanda do sistema”, informou o ministério. (Estadão Conteúdo e Redação)