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Economia

Inflação medida pelo IPCA tem alta de 0,53% em junho

Energia elétrica foi o item de maior impacto individual no índice

09 de Julho de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo
Custo das bandeiras tarifárias pesa mais na conta de luz.
Custo das bandeiras tarifárias pesa mais na conta de luz. (Crédito: ERICK PINHEIRO / ARQUIVO JCS)

Com altas mais brandas na conta de luz e na gasolina, a inflação oficial no País desacelerou de 0,83%, em maio, para 0,53% junho, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados ontem pelo IBGE. Apesar da melhora, o quadro inflacionário permanece desconfortável, dizem economistas, o que tem motivado revisões para cima nas projeções para o IPCA no ano.

Com o resultado de junho, o indicador passou a acumular uma variação de 8,35% nos últimos 12 meses -- bem acima do teto da meta de inflação que deve ser mantido pelo Banco Central em 2021, de 5,25%.

“Acho que a leitura geral continua sendo de um IPCA mostrando um quadro que não é tão favorável”, resumiu o economista Daniel Lima, do Banco ABC Brasil, que estima um IPCA de 6,50% ao fim deste ano e de 3,70% em 2022.

Daniel Lima prevê aceleração do IPCA a 0,85% no mês de julho, impulsionado pelo encarecimento da energia elétrica, devido ao reajuste no valor da cobrança extra pelo acionamento da bandeira tarifária vermelha 2 sobre o consumo na conta de luz.

“Ainda podemos ter pressões de gasolina, com o reajuste da Petrobras, com alguma coisa desse aumento repassada”, diz o economista. “Outro risco é a questão das geadas, que está começando a pegar nos produtos (alimentícios) in natura. Tubérculos, raízes e legumes tiveram deflação de 11,15% em junho, mas espero uma reversão ao longo de julho em função das questões climáticas”, afirma Lima.

O desempenho de junho não muda a avaliação de que a inflação continua pressionada, comenta o economista Luis Menon, da gestora de recursos Garde Asset Management. “Acho que esse número de junho não muda muito o cenário também para o Banco Central, que disse que estava desconfortável com os números. O cenário é de continuar o aperto”, afirma Menon, sobre a expectativa de alta na taxa básica de juros, a Selic.

Em junho, as famílias só gastaram menos com comunicação. Todos os demais grupos de bens e serviços ficaram mais caros, com destaque para os custos maiores de habitação, transportes, alimentação, saúde e vestuário. A energia elétrica aumentou 1,95% em junho. Embora tenha subido menos que no mês anterior (5,37%), a conta de luz ainda foi o item de maior impacto individual no IPCA. Em junho, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 2 -- acrescentando R$ 6,243 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos, valor anterior ao reajuste que começou a valer em julho. O novo valor veio em substituição à bandeira vermelha patamar 1, que vigorou em maio (cujo acréscimo era menor, de R$ 4,16).

Os combustíveis tiveram uma elevação de 0,87% em junho, acumulando uma alta de 43,92% nos últimos 12 meses. (Estadão Conteúdo)