Buscar no Cruzeiro

Buscar

Economia

BC eleva juros básicos ao nível pré-pandemia

Copom decidiu ontem aumentar a taxa de 3,50% para 4,25% ao ano, na terceira alta consecutiva

17 de Junho de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo e Redação
Expectativa é de até um ponto porcentual a mais em agosto.
Expectativa é de até um ponto porcentual a mais em agosto. (Crédito: MARCELLO CASAL JR. / AGÊNCIA BRASIL )

Em meio à pressão inflacionária mais recente no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem elevar a Selic (a taxa básica da economia) em 0,75 ponto porcentual, de 3,50% para 4,25% ao ano. Este foi o terceiro aumento consecutivo dos juros, na esteira da alta recente da inflação.

Com a decisão de ontem, a Selic retorna ao patamar verificado em fevereiro de 2020 -- antes da pandemia de Covid-19. Com a pandemia, o BC fez um primeiro movimento no sentido de acelerar os cortes da taxa, que se manteve no mínimo histórico de 2% ao ano de agosto do ano passado a março deste ano. Em um segundo movimento, iniciado em março, o BC recomeçou a elevar a Selic, numa tentativa de controlar a inflação.

O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

Alguns economistas do mercado financeiro, porém, veem a possibilidade de uma alta de até 1 ponto porcentual em agosto, caso a inflação não dê trégua até lá. Para o fim de 2021, as instituições projetam desde uma Selic em 5% até um aumento dos juros a 7% ao ano. O BC também passou indicações de que o atual ciclo de alta tende a colocar a Selic em patamar mais elevado do que o previsto inicialmente.

O Copom fixa a taxa básica de juros com base no sistema de metas de inflação. Neste ano, a meta central é de 3,75%, mas o IPCA pode ficar entre 2,25% a 5,25% sem que a meta seja formalmente descumprida. Para 2022, a meta central é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Em maio, o IPCA ficou em 0,83% segundo o IBGE. Foi o maior resultado para um mês de maio desde 1996 (1,22%).

Com os três últimos aumentos da Selic, o Brasil voltou a registrar uma das maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em +1,92% ao ano. O País possui o segundo juro real mais alto do mundo, considerando as 40 economias mais relevantes. Atualmente, o País só registra uma taxa real inferior à da Turquia (+6,44%). (Estadão Conteúdo e Redação)