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Economia

Venda de imóveis sobe, mas material caro esfria o setor

Lançamentos residenciais tiveram queda no acumulado de 12 meses

25 de Maio de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo [email protected]
Estoques caíram 14,8%, para 153 mil unidades.
Estoques caíram 14,8%, para 153 mil unidades. (Crédito: EMIDIO MARQUES / ARQUIVO JCS)

A disparada nos preços dos materiais de construção tem levado incorporadoras a adiarem lançamentos por receio de descontrole do orçamento e prejuízos após o início das obras. O quadro surpreendeu empresários, que esperavam um ano embalado do mercado imobiliário, e pode agora esfriar a geração de empregos pelo setor -- que liderou a criação de postos de trabalho no último ano.

Os lançamentos de imóveis residenciais no Brasil somaram 28.258 unidades no primeiro trimestre de 2021, alta de 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Por sua vez, as vendas atingiram 53.185 unidades, um aumento bem mais robusto, de 27,1%, segundo pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

No acumulado dos últimos 12 meses, os lançamentos amargaram uma queda de 10,5%, para 168.673 unidades, enquanto as vendas continuaram subindo, para 207.946 unidades, alta de 12,8%. Com mais vendas que lançamentos, os estoques de imóveis (na planta, em obras e recém-construídos) caíram 14,8%, para 153.914 moradias. Este é o patamar mais baixo já registrado pela CBIC desde o início da série histórica, em 2016. Nesse ritmo de vendas, o estoque se esgotaria em 8,9 meses. Há um ano, essa métrica estava em 11,8 meses.

“Como no ano passado tivemos recorde de vendas e queda nos estoques, era esperado que o primeiro trimestre tivesse um ‘boom’ de lançamentos, mas eles cresceram só um pouquinho”, disse Fábio Tadeu Araújo, sócio da consultoria Brain.

Araújo disse que o esfriamento do setor deve ter um impacto significativo na economia nacional. “A construção civil, que foi a principal geradora de carteiras assinadas no Brasil, com mais de 40 mil postos por mês, em março recuou para 25 mil.”

O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) acumulou alta de 12,99% nos últimos 12 meses encerrados em abril -- o pico desde a chegada do Plano Real. O custo com material se destacou no período, com expansão de quase 30%. Como resultado, 57% das construtoras já relatam problemas de escassez de insumos ou disparada nos custos, segundo sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A disparada nos valores dos materiais foi sentida pelas construtoras no segundo semestre de 2020 e atribuída à desorganização da cadeia produtiva após as paralisações provocadas pela pandemia. No entanto, esse quadro está se prolongando por mais tempo que o previsto pelos empresários.

Uma das consequências da explosão nos custos é o repasse desse efeito para os consumidores. “Seguramente teremos aumento nos preços dos imóveis neste ano”, disse o membro da CBIC e economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci. (Circe Bonatelli - Estadão Conteúdo)