Buscar no Cruzeiro

Buscar

Economia

Lucro da Petrobras é de R$ 1,16 bi no 1º trimestre

15 de Maio de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo
Cotação do dólar impactou estatal e o agro ampliou vendas.
Cotação do dólar impactou estatal e o agro ampliou vendas. (Crédito: FERNANDO FRAZÃO / ARQUIVO AGÊNCIA BRASIL)

Em um cenário de explosão de preços de commodities e de recuperação das vendas de combustíveis no Brasil, a Petrobras fechou o primeiro trimestre com lucro de R$ 1,16 bilhão. O balanço frustrou as projeções de analistas. Eles apostavam em lucro de R$ 4,7 bilhões, segundo prévia do Estadão/Broadcast elaborada com base em seis casas -- Bradesco BBI, BTG Pactual, UBS, XP Investimentos, Santander e Itaú BBA.

O mercado não contava com o impacto do dólar nas despesas financeiras da estatal. “O primeiro trimestre do ano passado foi atípico, com o início da pandemia, e eu espera agora um resultado melhor. Pelo lado do refino e do mercado de derivados vimos uma coisa boa. No financeiro, no entanto, os números foram menores”, disse o sócio fundador da consultoria MaxiQuim, João Zuneda.

A resiliência do agronegócio garantiu o crescimento da venda de óleo diesel, enquanto o afrouxamento das medidas de isolamento manteve o comércio de gasolina. A Petrobras ainda conseguiu aumentar sua participação nos mercados dos dois combustíveis para 73%.

O lucro do primeiro trimestre deste ano contrasta com o prejuízo de R$ 48,5 bilhões de 2020, quando a pandemia de Covid-19 derrubou a cotação do petróleo e também o consumo de derivados no Brasil.

A Petrobras vai continuar vendendo combustível a preço de mercado internacional e em dólar. O recado foi dado pela nova diretoria ontem, em eventos virtuais para detalhar o resultado financeiro do primeiro trimestre deste ano. Ainda que o comando da empresa tenha mudado há um mês, as prioridades permanecem as mesmas da gestão anterior: redução da dívida, venda de ativos e investimento cada vez mais concentrado no pré-sal.

O diferencial do discurso do novo presidente da estatal, o general do Exército Joaquim Silva e Luna, transmitido num breve vídeo a analistas, foi a promessa de que a empresa vai produzir mais petróleo nos próximos cinco anos do que em qualquer período da sua história. “Temos um plano ambicioso de investimento, com previsão de entrada de três novos sistemas de produção (plataformas) em seis campos petrolíferos”, afirmou.

O militar foi indicado ao cargo após ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. O executivo foi demitido pelas redes sociais por reajustar o óleo diesel, a gasolina e o gás de cozinha em mais de 50% nos primeiros meses deste ano.

Com a entrada de Silva e Luna, havia a expectativa de mudanças na política de preço dos combustíveis. Mas, ao contrário disso, a informação da nova diretoria foi de que os produtos da estatal vão continuar encarecendo à medida que a cotação do petróleo subir no mercado internacional. (Estadão Conteúdo)