Crise no Supremo
Reunião de Moraes com PF eleva desconfiança no STF
Encontro ocorrido nesta semana não havia sido incluído na agenda oficial do ministro
Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) elevaram a desconfiança sobre os objetivos do ministro Alexandre de Moraes, que se reuniu nesta semana com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e os responsáveis pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), Dennis Cali, e pela Inteligência da corporação, Leandro Almada. Também teriam participado o chefe da Coordenação de Inquéritos Especiais (Cinq), Vitor Arruda, e o coordenador de Contrainteligência da corporação, Guilhermo Catramby.
O encontro não foi incluído na agenda oficial. Na quarta-feira (7), um dia após o encontro, Andrei Rodrigues arquivou o pedido de investigação de suposta ingerência dos Estados Unidos nas eleições do Brasil. A medida foi adotada para evitar a tese de que estaria sendo preparada uma "fraude judicial" e para acenar ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). No encontro extra-agenda, a conclusão foi de que não havia respaldo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Procuradoria-Geral da República e nem de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) para sustentar a investigação. Portanto, insistir no caso traria mais problemas para o STF, especialmente aos ministros ligados a Lula.
Delegados presentes na reunião comandam setores da PF responsáveis pelas investigações que levaram o Supremo Tribunal Federal à sua maior crise reputacional.
A Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor) cuida dos inquéritos dos casos Master e INSS. É nela que está a área de inquéritos especiais. Esse é justamente o setor que precisará entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, detalhes "sem exceção" sobre o envolvimento dos magistrados com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Inquérito
A Diretoria de Inteligência Policial (DIP), que tem o braço da contrainteligência, cuidava dos casos que envolviam o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo inquérito das fake news, milícias digitais, vacinas e os atos golpistas.
O inquérito das fake news foi para as mãos de Fachin, que determinou uma revisão geral no processo que reúne mais de uma centena de casos vinculados. O movimento é o primeiro passo para finalmente encaminhar o inquérito das fake news para seu encerramento. O sigilo dos autos ainda está mantido e sua derrubada deve explicitar os excessos cometidos por Moraes ao longo de mais de sete anos. (Estadão Conteúdo)