Apostas
Presidente decide proibir bets
Medida provisória, que leva em conta prejuízos com jogos de azar, deve ser publicada nos próximos dias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu proibir as apostas on-line, conhecidas como bets, e vai adotar esse mote na reta final da campanha à reeleição. A estratégia que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal rival de Lula, aos prejuízos causados pelos jogos de azar entrou em cena na noite de quarta-feira (23), durante ato político do presidente com artistas, no Rio.
"Flávio é bet. Lula é o caminho", dizia uma inscrição exibida no telão instalado no fundo do palco. O presidente e o senador estão tecnicamente empatados na maioria das simulações de intenção de voto para eventual segundo turno da disputa.
Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quarta-feira revelou que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das bets. Apenas 17% se disseram contrários à medida e outros 8% não concordam nem discordam.
O governo também avalia tomar providências para que as empresas de apostas on-line indenizem pessoas que se endividaram por causa dos jogos. Uma das ideias em estudo prevê que a União entre com ação na Justiça cobrando o ressarcimento das empresas.
Ao participar da abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22), Lula disse que "a indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro".
Desde que o assunto "bets" virou discurso de campanha, levantamentos analisados pelo PT têm mostrado que a ideia de proibir apostas on-line é muito elogiada por evangélicos, segmento que, em sua maioria, apoia a candidatura de Flávio.
Tigrinho
De início, o presidente havia sido aconselhado a proibir somente os cassinos digitais, como o jogo do Tigrinho, uma vez que havia grande resistência por parte das empresas de apostas esportivas. Além disso, a regulamentação das bets ocorreu no governo Lula.
Em reunião realizada quarta-feira com os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Miriam Belchior (Casa Civil), Lula afirmou, porém, que precisava "cortar o mal pela raiz" e foi incentivado pelo titular da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, a adotar uma medida drástica. Todos saíram do encontro no Alvorada incumbidos de fazer os últimos acertos para a edição da medida provisória, nos próximos dias.