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Supremo

Presidente de instituto vê 'crise sem precedentes' no STF

Proposta é de um código de ética para os tribunais superiores

05 de Setembro de 2026 às 20:17
Estadão Conteúdo [email protected]
Embate entre ministro provoca instabilidade no tribunal
Embate entre ministro provoca instabilidade no tribunal (Crédito: Luiz Silveira / STF)

"Vivemos uma crise moral e de credibilidade sem precedentes no Supremo Tribunal Federal." A avaliação é de Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção (Inac) e procurador de Justiça de São Paulo, ao falar sobre os episódios recentes na mais alta Corte do País, que tomaram conta do noticiário nos últimos dias.

Como resposta ao momento, o presidente do Inac defendeu a aprovação de um código de ética para os tribunais superiores do País. Para ele, essa medida tem o potencial de diminuir a tensão no STF e de dar uma resposta à população brasileira que, segundo ele, vê o tribunal isolado e fechado.

Além disso, cobrou que o plenário da Suprema Corte trate da matéria como forma de prestar contas à sociedade, em meio à crise.

Nesta semana, o Estadão revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha conversas com o ministro Alexandre de Moraes até poucas horas antes de ser preso. Nos diálogos, o pivô do caso Master pedia a Moraes que recorresse a outras autoridades para frear a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Horas depois, o ministro André Mendonça determinou a quebra do sigilo da ação que apurava as mensagens trocadas por Vorcaro e Moraes — no âmbito do escândalo do Banco Master —, tornando pública a proximidade que os dois tinham.

No dia seguinte, Alexandre de Moraes usou o inquérito das fake news para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O presidente do STF, Edson Fachin, porém, retirou o caso do inquérito das fake news e deu prazo de cinco dias para os envolvidos se manifestarem.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, afirmou ao Estadão que o uso de um relatório de inteligência da PF no inquérito das fake news é "totalmente irregular" e que o documento jamais poderia ter sido compartilhado com órgãos externos.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou na semana passada a Moraes um relatório de inteligência após ter recebido uma ordem do ministro. (Estadão Conteúdo)