Caso Banco Master
Gilmar pede veto a delegados da PF no STF
Atualmente há cinco delegados cedidos, dois deles no gabinete de Mendonça
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), propôs ao presidente da Corte, Edson Fachin, que vete a atuação de delegados da Polícia Federal (PF) em gabinetes de magistrados do tribunal.
Segundo interlocutores de Gilmar, o ministro considera que a atuação de delegados como assessores de ministros do STF abre espaço para interferências indevidas e o direcionamento de investigações.
A sugestão já havia sido levantada por Gilmar outras vezes, mas ganhou força em meio à revelação da troca de mensagens entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. O relatório da PF que detalha a relação entre os dois teve seu sigilo removido no início desta semana pelo relator, André Mendonça. Gilmar é aliado de Moraes na Corte.
Atualmente, há cinco delegados da PF cedidos ao Supremo. Dois deles atuam no gabinete de Mendonça para reforçar investigações sobre o Banco Master e descontos indevidos dos aposentados do INSS. Outros dois estão lotados no gabinete de Moraes, e um assessora o ministro Luiz Fux. Em junho, o Ministério da Justiça convocou a maioria dos delegados cedidos a outros órgãos de volta para a PF, mas abriu exceção para o Supremo.
O presidente do Supremo tem aproveitado reuniões de rotina com os demais ministros para colher avaliações sobre a crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Delação
Um empresário do mercado financeiro ligado a Vorcaro assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e entregou extratos de pagamentos a um fundo nos Estados Unidos administrado por um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Os repasses teriam sido determinados por Vorcaro sob justificativa de patrocinar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Trata-se de Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. Na delação, ele entregou detalhes sobre operações financeiras ilícitas realizadas a pedido de Vorcaro. O acordo de colaboração foi enviado ao gabinete de André Mendonça há cerca de 15 dias, mas o ministro ainda não homologou o acordo - o que significa dar validade jurídica para que ele possa ser utilizado como meio de prova.
A informação sobre a delação foi publicada primeiro pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.
Freixo Júnior relatou aos investigadores que fazia repasses de recursos via fundos de investimentos e também pagamentos em dinheiro vivo a pedido do banqueiro. Ele é apontado nas investigações como um operador financeiro de Vorcaro.
Na delação, Freixo Júnior afirma que fez os pagamentos ao fundo de investimento nos Estados Unidos a pedido de Vorcaro, mas disse não saber a aplicação final do dinheiro. Ele apresentou os comprovantes e detalhou ter montado uma operação que poderia ser caracterizada como de evasão de divisas para repassar os recursos. (Estadão Conteúdo)