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Religião

Igreja excomunga padre de Jundiaí

11 de Agosto de 2026 às 21:07
Estadão Conteúdo [email protected]
Padre Rodrigo de Oliveira Filho
Padre Rodrigo de Oliveira Filho (Crédito: Divulgação / Centro Dom Bosco)

A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, excomungou o padre Rodrigo de Oliveira Silva após ele aderir formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista que o Vaticano considera em situação de cisma com a Igreja Católica. A entidade nega as acusações da Santa Sé.

Natural de Cajamar, na região metropolitana de São Paulo, Rodrigo estudou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro e concluiu a formação em filosofia e teologia em 2009. Foi ordenado diácono em 2010 e padre, em 2011. Ele era pároco da Paróquia Santo Antônio e em fevereiro deste ano já tinha pedido o afastamento da diocese.

Desde março, Rodrigo promove uma campanha de arrecadação virtual ("vaquinha") para viabilizar a abertura de uma igreja própria. Até a manhã de ontem (11), haviam sido arrecadados R$ 73,3 mil.

Procurado, o padre informou que não iria se manifestar.

O anúncio foi feito pelo bispo diocesano Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, que classificou como ilícitos todos os atos do ministério do sacerdote a partir de agora.

Segundo a diocese, absolvições concedidas por Rodrigo no sacramento da Penitência e casamentos por ele assistidos deixam de ter validade perante a Igreja. "No que tange aos Sacramentos da Penitência e do Matrimônio, tanto a absolvição sacramental por ele concedida quanto os casamentos por ele assistidos carecem de validade e são nulos", declarou o bispo em nota oficial.

A excomunhão decorre de determinação do Vaticano do mês passado: bispos, padres e leigos que aderirem formalmente ao grupo passam a ser considerados em situação de cisma.

A medida é uma resposta à ordenação de quatro bispos pelo grupo, em 1º de julho, sem autorização do papa Leão XIV — o que Roma chamou de "ato de natureza cismática". É o primeiro cisma da Igreja em 38 anos, e também envolve a mesma fraternidade fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre.

Para voltar à comunhão com Roma, os fiéis precisam aceitar formalmente o Concílio Vaticano II e se submeter à autoridade do papa.

Fundada em 1970 por Lefebvre (1905-1991), a Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu como reação às mudanças do Concílio Vaticano II (1962-1965), que tornou a liturgia mais acessível, assumiu compromissos sociais contra a pobreza e valorizou o ecumenismo. Os seguidores de Lefebvre mantiveram o rito tridentino: a "missa antiga", rezada em latim e com o padre de costas para os fiéis. (Estadão Conteúdo)