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Paraguai convoca embaixador do Brasil após fala de Lula

30 de Julho de 2026 às 21:07
Estadão Conteúdo [email protected]
Declaração do presidente
incomodou governo paraguaio
Declaração do presidente incomodou governo paraguaio (Crédito: /Paulo Pinto / Arquivo Agência Brasil (10/4/2026))

O governo do Paraguai convocou ontem (30) o embaixador brasileiro em Assunção para uma reunião, devido a uma fala do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a guerra da Tríplice Aliança, ocorrida entre 1864 e 1870. O tema é considerado sensível no Paraguai, que registrou muitos danos por conta do conflito no século 19.

No dia 24 de julho, Lula fez uma referência à guerra ao discursar em um evento em Jacareí, no interior de São Paulo. "A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos", afirmou.

Em uma entrevista coletiva ontem, o ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, informou sobre o ato da convocação. O embaixador brasileiro José Antonio Marcondes deve se reunir com Lezcano hoje (31). Segundo o ministério paraguaio, Lezcano e o vice-presidente do país, Pedro Alliana, entregarão uma nota oficial em nome do Paraguai.

Ainda de acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, Lezcano conversou por telefone com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o presidente paraguaio Santiago Peña falou com Lula sobre o tema, também por telefone.

"A dignidade do Paraguai não está em negociação. Quero que saibam que, sob a liderança do presidente Santiago Peña, desde o início abordamos o assunto no mais alto nível. A diplomacia tem seus prazos e suas formas e, acreditem, a moderação do presidente da República tem sido fundamental na gestão desses prazos e formas", afirmou Lezcano.

Na diplomacia, convocar o embaixador de outro país é considerado um sinal de grande insatisfação. O Brasil tomou atitude parecida na última semana, quando convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires após ofensas do presidente da Argentina, Javier Milei, a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Parlamentares paraguaios repudiaram a fala do presidente brasileiro. "Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente", disse o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre.

Guerra da Tríplice Aliança

A guerra do Paraguai, também chamada de guerra da Tríplice Aliança por conta da união de Brasil, Argentina e Uruguai contra o país, foi o conflito armado com mais mortes da história da América do Sul.

Na ocasião, o Uruguai estava dividido em dois partidos, um apoiado pelo Brasil e o outro pelo Paraguai. O gatilho para o início da guerra foi quando o Brasil interveio no Uruguai, o que levou a uma reação dos paraguaios.

Governado pelo ditador Solano López, o Paraguai sequestrou o navio brasileiro Marquês de Olinda e posteriormente invadiu cidades brasileiras, como Corumbá. Os dois países também tinham territórios em disputa e procuravam garantir o controle da navegação nos rios da região.

História

A Tríplice Aliança venceu o conflito, o que teve consequências desastrosas para o Paraguai. A infraestrutura do país foi destruída e grande parte da população morreu. López se recusou a se entregar mesmo após a derrota militar e tentou continuar a guerra, inclusive mandando crianças para o campo de batalha, até ser morto pelo soldado brasileiro que ficou conhecido como Chico Diabo em 1870. (Estadão Conteúdo)

 

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