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Cinema brasileiro

Morre o cineasta Luiz Carlos Barreto aos 98 anos

Referência do Cinema Novo, Barretão deixa legado com mais de 100 produções na história do audiovisual no país

22 de Julho de 2026 às 12:25
Da Redação [email protected]

O produtor, fotógrafo e cineasta Luiz Carlos Barreto morreu aos 98 anos no Hospital Copa Star, na zona sul do Rio de Janeiro, onde estava internado para tratar uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. Conhecido como “Barretão”, ele foi um dos nomes mais importantes da história do cinema brasileiro.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Barreto ajudou a moldar a produção audiovisual no país, especialmente por sua atuação como produtor. Entre os filmes mais marcantes de sua trajetória estão Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) e O Que É Isso, Companheiro (1997), obras que marcaram gerações e alcançaram enorme reconhecimento de público e crítica.

Natural de Sobral, no Ceará, ele nasceu em 1928 e iniciou a trajetória profissional no fotojornalismo. Antes de chegar ao cinema, trabalhou na revista O Cruzeiro, onde registrou personalidades como Marilyn Monroe, Fidel Castro e Frank Sinatra, consolidando-se como um dos grandes fotógrafos de sua geração.

Da fotografia ao Cinema Novo

A entrada de Barreto no audiovisual aconteceu após um convite de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos para assinar a direção de fotografia de Vidas Secas (1963). Depois, também atuou em Terra em Transe (1967), uma das obras mais celebradas do Cinema Novo e fundamental para a história do cinema nacional.

Como produtor, Luiz Carlos Barreto esteve à frente de mais de 100 títulos e ajudou a transformar a forma de financiar, realizar e distribuir filmes no Brasil por meio da produtora LC Barreto. Sua atuação foi decisiva para a consolidação de projetos que se tornaram marcos culturais e comerciais.

Entre os maiores sucessos de sua filmografia estão Bye Bye Brasil (1979), Memórias do Cárcere (1984) e Menino do Rio (1982). Já Dona Flor e Seus Dois Maridos permaneceu por mais de 30 anos como a maior bilheteria da história do cinema brasileiro.

Sob sua liderança, o Brasil também alcançou duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional, com O Quatrilho (1995) e O Que É Isso, Companheiro? (1997), reforçando a relevância internacional de sua trajetória.

Barreto era casado havia 71 anos com a produtora Lucy Barreto, com quem construiu uma família ligada ao cinema. Juntos, tiveram os filhos Bruno, Fábio, morto em 2019, e Paula. O cineasta deixa ainda nove netos e oito bisnetos.

O velório de Luiz Carlos Barreto está marcado para esta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Depois, o corpo seguirá para cerimônia de cremação no Memorial do Caju.