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Casa Branca

Trump não vai mudar após reunião comigo, diz Lula

Presidentes discutiram crime organizado, tarifas comerciais e terras raras

07 de Maio de 2026 às 21:30
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Lula foi recebido por Donald Trump, que o chamou de
Lula foi recebido por Donald Trump, que o chamou de "dinâmico" (Crédito: RICARDO STUCKERT / PR (7/5/2026))

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Donald Trump “não vai mudar por conta de uma reunião de três horas comigo”. O brasileiro se reuniu com o americano na Casa Branca ontem (7), onde trataram de tarifaço, crime organizado, terras raras e outros temas.

O petista conduziu uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira em Washington, que substituiu a tradicional conversa com jornalistas no Salão Oval. O momento de perguntas e respostas conjunta entre os líderes foi cancelado a pedido do presidente brasileiro.

Lula chamou a reunião de histórica. “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”. De bom humor, o brasileiro disse ter feito Trump sorrir. “O presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”.

Ao ser questionado sobre as posições de Trump sobre Cuba, Venezuela e Irã, Lula respondeu que o americano “não vai mudar depois de três horas de reunião comigo”. “Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra. Eu acho que a invasão do Irã vai causar mais prejuízo do que ele esta imaginando. Ele acha que a guerra já acabou, eu não vou ficar brigando com ele por conta da visão que ele tem da guerra”.

Segundo Lula, o Brasil demonstrou interesse em construir — com os EUA e outros países da América Latina — um grupo de trabalho com todos os países da América Latina para combater o crime organizado. Ele disse ainda que questionou a estratégia dos EUA de combater o crime organizado com bases militares e defendeu a criação de alternativas econômicas ao crime. “Como você vai fazer um País deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, questionou.

De acordo com Lula, as duas comitivas também trataram de terras raras, um assunto caro aos EUA que buscam afastar a dominância chinesa na área. “Nós não temos preferências, o que nós queremos é fazer parceria. Quem quiser participar conosco para ajudar a fazer a mineração estão sendo convidados para irem ao Brasil e isso é permitido pela regulação que foi feita e deve ser aprovada no senado”.

Ao ser perguntado sobre o tarifaço, Lula disse que está “muito positivo” sobre o assunto. “Tem uma divergência entre nós que ficou explicita na reunião. Os EUA haviam imposto 50% de tarifas contra o Brasil — 10% aplicadas a todos mais 40% apenas ao Brasil. Os 40% caíram após decisão da Suprema Corte, mas pode retornar após julho caso o país decida reimpor sobretaxas.

Trump

Trump publicou no Truth Social que a reunião transcorreu bem. “Acabei de encerrar minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos assuntos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas”, escreveu Trump . “Nossos representantes devem se reunir para discutir alguns pontos-chave”. (Estadão Conteúdo)