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Política

Delegado da PF que indiciou Bolsonaro é nomeado como assessor no gabinete de Moraes no STF

Moraes solicitou no início do mês a transferência de Shor da PF para o seu gabinete.

10 de Março de 2026 às 13:19
Da Redação com informações da Prefeitura de Votorantim
Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes (Crédito: SÉRGIO LIMA / ARQUIVO AFP (24/2/2026))

O delegado Fábio Alvarez Shor, da Polícia Federal (PF), foi nomeado nesta segunda-feira, 9, como assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A portaria de nomeação foi assinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Moraes solicitou no início do mês a transferência de Shor da PF para o seu gabinete. A confirmação dependia apenas o trâmite burocrático entre as duas instituições. O delegado foi escolhido por causa da sua atuação em inquéritos relatados por Moraes, o que os aproximou profissionalmente. 

Shor foi responsável pela investigação da tentativa de golpe de Estado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados no governo passado. Outro caso em que ele atuou foi o inquérito dos atos golpistas de 8 de Janeiro. A atuação do delegado fez com que ele se tornasse alvo constante de ataques de figuras da direita, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro que o ameaçou em transmissão ao vivo. 

Em live publicada no dia 20 de julho de 2025, Eduardo insinuou que Shor poderia ser alvo de sanções dos Estados Unidos e perder o visto por causa das investigações que conduzia. O delegado pediu o indiciamento de Bolsonaro por liderar a organização criminosa que planejou o golpe. 

"Você da Polícia Federal que está me vendo, um forte abraço. Você também, olha lá, a depender de quem for, já está sem visto, né. Isso é outra coisa que a gente tem falar. Vou ter que baixar a imagem do Fábio Shor", disse. 

Shor também foi constantemente criticado por advogados que atuaram no julgamento do golpe de Estado, especialmente Jeffrey Chiquini com quem Moraes protagonizou diversos embates durante a fase de instrução das ações penais. 

Chiquini acusou Shor diversas vezes de ter produzido um relatório com informações falsas sobre o ex-assessor da Presidência Filipe Martins. 

Além dos inquéritos sobre as tentativas de golpe, Shor atuou nas investigações da fraude no cartão de vacinação do ex-presidente Bolsonaro e do escândalo das joias sauditas, revelado pelo Estadão. Em todas essas investigações ele trabalhou sob supervisão de Moraes como relator. 

O delegado e sua equipe foram responsável por identificar, por exemplo, que Moraes havia sido monitorado por golpistas com o objetivo de assassiná-lo. 

Shor é especialista em contrainteligência e, em fevereiro do ano passado, passou a chefiar a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF. No STF, é possível que ele atue como assessor de Moraes e possa auxiliá-lo em inquéritos sob sua relatoria.