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Vorcaro

PF investiga plano de agressão contra jornalista e aponta existência de grupo clandestino ligado a banqueiro

Mensagens indicam intenção de ataque em "assalto forjado" e atuação de estrutura paralela chamada "A Turma"

04 de Março de 2026 às 12:51
Da Redação com Estadão Conteúdo [email protected]
Vorcaro declara:
Vorcaro declara: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". (Crédito: Divulgação)

A Polícia Federal investiga um suposto plano de agressão contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo as investigações, mensagens interceptadas apontam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria manifestado a intenção de que o jornalista fosse agredido em um assalto forjado.

Na troca de mensagens com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como responsável pela execução de atividades de monitoramento e obtenção de informações sigilosas, Mourão escreve: “Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? Hrs hein. Lanço uma nova sua? Positiva”. Vorcaro responde: “Sim”. Em seguida, afirma: “Cara escroto”. Depois, sugere: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”. Mourão responde: “Vou fazer isto”.

Na sequência da conversa, Vorcaro declara: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. De acordo com a investigação, Mourão reage com dois símbolos de sinal positivo à mensagem em que o banqueiro manifesta a intenção de “Quebrar todos os dentes” do jornalista. Em seguida, escreve: “Estamos em cima de todos os links negativos vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”.

Para a Polícia Federal, as mensagens indicam não apenas a intenção de intimidar o jornalista, mas também a atuação de uma estrutura privada de vigilância e coerção denominada “A Turma”. O grupo, segundo a apuração, seria voltado à obtenção ilegal de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e produção ou disseminação de conteúdos favoráveis à instituição financeira, além de ações para neutralizar críticas.

A investigação aponta que “A Turma” funcionaria como um núcleo paralelo, com tarefas específicas de acompanhamento de jornalistas, críticos e publicações consideradas negativas ao banco. A apuração busca esclarecer se houve prática de crimes como organização criminosa, coação e violação de sigilo.

Após a divulgação do caso, a Associação Nacional de Jornais divulgou nota de solidariedade, afirmando que ataques e tentativas de intimidação contra profissionais de imprensa representam ameaça direta à liberdade de expressão e ao Estado Democrático de Direito.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça” e que confia no esclarecimento dos fatos ao longo do processo. O caso tramita sob sigilo judicial.