Buscar no Cruzeiro

Buscar

Eleições

Relação tensa entre Tarcísio e Kassab prejudica vice do PSD

Kassab, que tem trânsito com muitos políticos, quer ser vice, mas Tarcísio prefere Ramuth, mais discreto

17 de Fevereiro de 2026 às 20:24
Cruzeiro do Sul [email protected]
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o secretário de Governo, Gilberto Kassab, participam de jantar da 56ª Convenção da Confederação Israelita do Brasil
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o secretário de Governo, Gilberto Kassab, participam de jantar da 56ª Convenção da Confederação Israelita do Brasil (Crédito: TABA BENEDICTO / ESTADÃO)

 

Quando foi anunciado secretário de Governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Gilberto Kassab (PSD) ganhou o status de “homem-forte” do governador. À época, Tarcísio era visto como um forasteiro, sem experiência no Executivo tampouco base política em São Paulo. Kassab, por outro lado, já carregava a fama de exímio articulador e profundo conhecedor do tabuleiro paulista.

Três anos depois, às vésperas da eleição, o cenário é outro. Embora tenha fortalecido o próprio partido, o PSD, que hoje reúne três pré-candidatos à Presidência, Kassab vive uma relação tensa com Tarcísio e enfrenta desconfiança do núcleo mais próximo do governador. Seus poderes na administração foram limitados ao longo do mandato, a ponto de aliados do Palácio dos Bandeirantes afirmarem que o secretário tem “caneta”, mas “sem tinta”.

Kassab não esconde que seu projeto pessoal é ser governador de São Paulo. O cálculo do cacique passa justamente por ocupar a vice na chapa de Tarcísio à reeleição, estratégia que remete a 2004, quando, ainda deputado federal pelo PFL, Kassab foi escolhido vice na chapa de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo. A manobra o levou ao comando da capital paulista e abriu caminho para estruturar o PSD, que em 2024 se tornou o partido com o maior número de prefeituras no País, desbancando o MDB.

Procurados, nem o governo de São Paulo nem Kassab se manifestaram. Como mostrou o Estadão em setembro do ano passado, Tarcísio disse a aliados que não há qualquer possibilidade de Kassab ocupar a vaga de vice em uma possível chapa à reeleição. Reservadamente, o governador diz que seu desejo é manter Felício Ramuth (PSD), que passou a ser assessorado pelo marqueteiro Pablo Nobel a seu pedido. Nobel foi responsável pela campanha vitoriosa de Tarcísio em 2022, e a dobradinha deve ser reeditada neste ano.

Ramuth construiu sua carreira política no PSDB, mas foi levado ao PSD por Kassab com o objetivo de disputar o governo de São Paulo em 2022. No fim, o partido decidiu apoiar Tarcísio e Ramuth foi integrado à chapa.

Ramuth é visto como um vice fiel e discreto, que não gera problemas dentro do governo. Ao longo da gestão, aproximou-se mais de Tarcísio do que de Kassab, a ponto de, dentro do PSD, circular a expectativa de que Kassab tente vetá-lo para se afirmar como candidato. Tarcísio, por sua vez, já sinalizou que poderia acomodar Ramuth em outro partido para mantê-lo na vice.

O MDB é apontado como uma possível “barriga de aluguel” de Ramuth. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), no entanto, já disse a aliados que, se a vaga de vice ficar com o partido, prefere que o posto seja ocupado pelo presidente nacional da legenda e seu aliado, deputado Baleia Rossi (SP). (Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo)