Serviço público
Servidores denunciam uso político do IBGE
Direção comunicou ainda que parte da equipe terá que mudar de local de trabalho
O sindicato que representa os trabalhadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Assibge-SN, classificou de “continuidade à caça às bruxas” a exoneração de mais uma servidora em cargo de chefia, comunicada semana passada, pela gestão de Marcio Pochmann na presidência do órgão.
A servidora Ana Raquel Gomes da Silva foi informada de sua exoneração do cargo de gerente da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais (Gecoi). A gerente seria substituída por um dos servidores recém-concursados que ingressaram há poucos meses no instituto, ainda em estágio probatório, a exemplo do que já ocorreu recentemente em outros cargos de chefia na Coordenação de Comunicação Social, informaram fontes à reportagem.
A direção do IBGE comunicou ainda que o local de trabalho da equipe da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais será transferido das atuais instalações nas imediações do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, para o prédio do instituto em Parada de Lucas, às margens da avenida Brasil, uma distância de mais de 20 quilômetros, ressaltou o sindicato.
“O ambiente não possui condições adequadas para funcionamento, pois não recebeu as reformas avaliadas como necessárias pela própria instituição em 2018. Trata-se de mais uma medida retaliatória. Ana Raquel e sua equipe protagonizaram embates públicos com a gestão Pochmann, inclusive no episódio da denúncia do uso político da publicação ‘Brasil em Números 2024’”, declarou a executiva nacional da Assibge-SN, em nota pública.
Ana Raquel Gomes da Silva foi uma das denunciantes a manifestar repúdio à divulgação de uma publicação oficial do instituto contendo um prefácio assinado pelo governo do Estado de Pernambuco, que poderia caracterizar “propaganda política” e “campanha eleitoral”. A divulgação foi mantida pela gestão Pochmann apesar dos alertas e recomendações contrárias da área técnica do órgão ainda em novembro de 2024, quando o material era preparado, denunciaram os trabalhadores. (Estadão Conteúdo)