Operação Compliance Zero
Toffoli determina ida de itens de operação para o STF
Ministro criticou demora da Polícia Federal para cumprir mandados no caso Master
O ministro Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Polícia Federal entregar à Corte todos os itens que foram apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero “lacrados e acautelados” para avaliação do material posteriormente. A execução dessa nova fase da operação foi realizada ontem (14).
A determinação chamou a atenção dos investigadores, que classificaram a medida como inédita. O procedimento normal é que os materiais apreendidos sejam enviados à perícia da Polícia Federal para extração dos dados e análise das informações.
De acordo com investigadores, existe um risco, por exemplo, de que informações dos celulares possam se perder caso essa extração demore muito. Os gabinetes dos ministros do STF não costumam ter os aparelhos necessários para realizar a extração e a preservação da cadeia de custódia desses materiais, que necessitam de técnicas típicas da perícia criminal.
Em nota, Toffoli afirmou que sua ordem foi para a “preservação das provas”, mas não deu detalhes sobre o procedimento que vai adotar. Na sua decisão, ele ainda criticou a PF acusando a corporação de “inércia” por não ter cumprido a operação em um prazo de 24 horas.
Toffoli autorizou as medidas em decisão da última segunda-feira (12), e mandou que a PF cumprisse tudo no dia seguinte. Esse pedido da operação, porém, havia sido apresentado no final do ano passado e ainda era necessário verificar se os endereços dos alvos estavam atualizados.
Após essa checagem, a PF fez um novo pedido para busca e apreensão na residência do banqueiro Daniel Vorcaro, e apresentou a solicitação de prisão temporária do cunhado dele, Fabiano Zetel, que foi preso ontem por agentes federais quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos.
A PF cumpriu 42 mandados e apreendeu carros de luxo, relógios, dinheiro e uma arma. Também foi determinado o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. A suspeita de investigação é que esse valor foi desviado da contabilidade do Master, por meio de operações com os fundos, para o patrimônio pessoal de Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
Em nota, a defesa de Vorcaro comunicou que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)