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Suspeita

Irmãos de Toffoli venderam fatia em resort a fundo da Reag

Após venda da participação, resort no Paraná recebeu aporte milionário

12 de Janeiro de 2026 às 21:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
Ministro do STF é responsável pelo inquérito do caso Master
Ministro do STF é responsável pelo inquérito do caso Master (Crédito: BRUNO PERES / ARQUIVO AGÊNCIA BRASIL )

Os irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, cederam uma fatia milionária no resort Tayaya, em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos, investigada por abrigar teias de fundos ligados ao Banco Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado de combustíveis.

Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli e a administração do resort não se manifestaram. O ministro não tem participação direta no resort, mas frequenta o Tayaya. Seus irmãos e pelo menos um primo tiveram participação acionária na empresa.

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, negou envolvimento da instituição financeira “com supostas fraudes, fundos ilícitos ou operações mencionadas na reportagem”.

O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a investir R$ 20 milhões em duas empresas de familiares do ministro responsáveis pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita pela PF.

Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que envolve a Reag Investimentos. Ele passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso fique no STF.

A gestora e administradora de recursos financeiros Reag abrigou teias de fundos ligadas ao dono do banco Master, investigadas pela Polícia Federal. Teias de fundos são estruturas complexas de fundos de investimento interligados. A Reag também foi alvo da PF por abrigar fundos usados por suspeitos de sonegação e envolvimento com o PCC no setor de combustíveis.

O Estadão obteve acesso a documentos da sociedade ao longo dos últimos anos. Uma das empresas beneficiada por investimentos do fundo Arleen é a Tayaya Administração e Participações, que foi aberta em 2011 pelo primo do ministro, Mario Umberto Degani. A outra era a DGEP, também do primo do ministro.

Em 2021, como mostrou o portal O Antagonista, a Maridt Participações S.A., que tinha como dirigentes dois irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, se tornou sócia do empreendimento.

José Carlos Dias Toffoli é padre na cidade de Marília, reduto do ministro, e José Eugênio é engenheiro e chegou a prestar serviços para a Queiroz Galvão, empreiteira envolvida na Operação Lava Jato, entre 2008 e 2015. Ele não foi denunciado na operação.

Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que a fatia dos irmãos chegou a ser de R$ 1,37 milhão na Tayaya Administração e de outros R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos.

Em setembro daquele ano, a Maridt vendeu uma parte de sua participação na Tayaya, no valor de R$ 618 mil, ao Arleen. No mesmo dia, transferiu, em termos idênticos, R$ 2,54 milhões de sua fatia na DGEP.

Atualmente, nem o fundo nem os familiares de Toffoli permaneceram formalmente na sociedade. O Arleen, o primo e os irmãos de Toffoli cederam suas quotas para o advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa, atualmente único sócio das empresas. (Estadão Conteúdo)