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Saúde

Dia Mundial da Diabetes enfatiza importância de ações de prevenção à doença

Haverá medição gratuita de glicemia e pressão arterial na Praça Fernando Prestes, em Sorocaba

12 de Novembro de 2025 às 10:53
Da Redação [email protected]
Mais de 16 milhões de pessoas no Brasil vivem com a doença, segundo Sociedade Brasileira de Diabetes
Mais de 16 milhões de pessoas no Brasil vivem com a doença, segundo Sociedade Brasileira de Diabetes (Crédito: Divulgação/Agência Brasil)

Layla de Oliveira

Em alusão ao Dia Mundial do Diabetes Mellitus, a Prefeitura de Sorocaba promoverá, por meio da Secretaria da Saúde (SES), a “Ação de Saúde na Praça!” na quinta-feira (14). A iniciativa ocorrerá na Praça Coronel Fernando Prestes das 8h às 12h e vai contar com diversos serviços gratuitos voltados à prevenção da doença.

A equipe da SES realizará aferição de glicemia e pressão arterial, atividades físicas coletivas, auriculoterapia, busca ativa de sintomáticos respiratórios, além de atendimentos voltados à saúde da mulher e do homem. Toda a população pode participar gratuitamente da ação.

A doença

O endocrinologista Antônio Maestrello caracteriza a diabetes como uma doença caracterizada pela elevação do açúcar no sangue, e citou que existem vários tipos da doença. “Cerca de 90% dos diabéticos são do tipo 2, que possuem uma resistência à ação da insulina, que é o hormônio secretado para controlar o nível de açúcar do sangue. Ela acomete principalmente adultos depois dos 35 anos de idade com obesidade, excesso de peso, hipertensão arterial e história familiar e sedentarismo”.

Já a diabetes de tipo 1, de acordo com Maestrello, é mais comum em crianças e população mais jovem. “Há uma deficiência na secreção de insulina por conta de anticorpos que atuam contra a célula produtora do hormônio, causando uma deficiência muito grave logo no começo do diagnóstico”.

Há também a diabetes gestacional. “Ela acomete mulheres que não eram diabéticas, mas tendem a desenvolver a enfermidade depois da gestação. Normalmente, ela some depois do parto, mas pode voltar em gestações subsequentes ou facilitar o desenvolvimento da condição no futuro”, diz o médico.

Em relação aos sintomas, o endocrinologista diz que podem variar. “A diabete tipo 2, por exemplo, costuma ser assintomática, e só passa a demonstrar indícios após a evolução da condição. Aí, os sintomas passam a ser os mesmos que um portador de diabetes tipo 1: a pessoa sente muita sede, bebe muita água, urina demais, sente muita fome e perde peso progressivamente, pois a insulina é responsável por armazenar a glicólise ou como glicogênio no fígado ou através de gordura e calorias”, explica.

De acordo com dados Sociedade Brasileira de Diabetes em 2024, existem mais de 16 milhões de pessoas no Brasil vivendo com a doença, e o país é o sexto no ranking de maior número de pessoas com diabetes. Apesar da alta incidência, 50% dos indivíduos identificados não sabem que têm o diagnóstico.

Quando questionado se essa é uma ocorrência comum, o médico confirma. “Como é assintomático, a pessoa acaba não recebendo o diagnóstico. Por isso, é importante estimular as pessoas para que, pelo menos uma vez por ano, façam o exame. Essa desatenção pode causar complicações graves ao longo da vida, que incluem derrame, AVC, infarto, insuficiência renal, perda visual e até amputação de membros. O diabete é a maior causa de amputação de membros não relacionada a traumas, de infarto e de cegueira”, relata.

Como a diabetes é uma doença crônica e não possui cura, o endocrinologista ressalta a importância do tratamento e de ações preventivas. “Uma glicemia para diagnóstico de diabetes é de 126 e normal é de 99; então, nesse intervalo de 100 a 125, ocorre a pré-diabetes, que pode ser revertida”.

De acordo com o especialista, é possível diminuir a progressão do pré-diabético para o diabético e retardar o aparecimento da doença em anos caso o paciente estabeleça certos cuidados. Ele cita que uma dieta adequada, diminuição da ingestão de açúcar, não fumar e prática de atividade física são ações que ajudam nesse quesito.

Mas Maestrello ressalta que esses cuidados se estendem para quem já tem o diagnóstico de diabetes, mas acompanhamento psicológico também é necessário. “O paciente precisa entender o porquê dessas ações, e o envolvimento é muito importante para assegurar a eficácia do tratamento”, explica.

Além disso, existem vários tipos de medicação que podem ajudar a controlar a condição. “Há medicamentos via oral e injetáveis. Alguns podem ser pegos nas farmácias populares e nas unidades básicas de saúde, mas existem sim alguns mais caros. Porém, isso vai depender do perfil do paciente, e há muitas opções que podem se encaixar dentro das possibilidades de carga de trabalho e condições financeiras”.

Mas o foco deve ser nos diagnósticos precoces e diminuição de fatores de risco, reforça o endocrinologista. “Aumentar a conscientização dos sinais de alerta da diabetes e disseminar que certas condições como ganho de peso, tabagismo e sedentarismo aumentam a incidência de diabetes pode causar uma repercussão nos hábitos de vida da população”.

Dia Mundial do Diabetes

A data foi criada em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para reforçar a conscientização a respeito da doença, principalmente para evidenciar a importância da prevenção. A celebração ocorre no aniversário de um dos co-criadores da insulina, o médico canadense Frederick Banting. Ele, juntamente com Charles Best, conduziram as experiências que levaram à descoberta do hormônio em 1921.

Em 2006, as Nações Unidas reconheceram que a prevalência galopante de diabetes em todo o mundo constituía uma ameaça severa para as famílias, estados membros e para todo o mundo. Por isso, o dia 14 de Novembro passou a ser considerado um Dia das Nações Unidas a ser observado todos os anos desde 2007.

“A data existe exatamente para isso. Essas campanhas servem para incentivar os governos de qualquer esfera a implementar e fortalecer as políticas de prevenção à diabetes”, conta o endocrinologista Antônio Maestrello.

Segundo o site oficial da campanha, a ação atinge mais de um bilhão de pessoas em mais de 160 países.

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