Contradição
Lula pede fim do petróleo após defender Margem Equatorial
Presidente diz que Brasil deve reduzir dependência de combustíveis fósseis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu ontem (6) que o Brasil precisa se preparar para superar a dependência dos combustíveis fósseis. Ele falou na abertura da cúpula de líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, no Pará. A declaração ocorreu após o presidente ter reconhecido a importância da exploração de petróleo na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas.
No mês passado, em viagem à Indonésia, Lula disse que o País não iria “jogar fora” a oportunidade de aproveitar o petróleo, depois da autorização dada pelo Ibama para exploração na Margem Equatorial. O posicionamento, próximo da data de início da COP30, foi bastante criticado por ambientalistas.
Na abertura da cúpula de líderes, Lula apontou que os confrontos entre países atrasam a busca de soluções à crise climática. “Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam recursos que deveriam ir para o combate ao aquecimento global”, disse. “Precisamos superar o ‘descasamento’ entre o contexto geopolítico e a urgência climática”, acrescentou.
O presidente afirmou que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) terá apoio de países das bacias do Amazonas, do Congo e do Bornéu-Mekong. Ele evitou, entretanto, citar valores já aportados por nações no fundo.
Brasil (US$ 1 bilhão), Indonésia (US$ 1 bilhão), Noruega (US$ 3 bilhões), Portugal (1 milhão de euros) anunciaram investimentos no TFFF.
Esse fundo de investimentos tem a ambição de captar US$ 125 bilhões (R$ 668 bilhões) junto a governos e investidores privados para compensar os países que mantiverem de pé suas florestas. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo e AFP)