Rio de Janeiro
Castro diz que IML fará contagem de mortos
Governo estadual divulgou ontem à tarde 119 mortos após operação, mas Defensoria Pública informava 132
O número de mortos na megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), realizada na terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, pode ter ultrapassado a quantidade de vítimas do massacre do Carandiru, que aconteceu em 1992, em São Paulo.
Até as 13h de quarta-feira (29), o governo do Rio havia confirmado 119 mortos na operação, entre eles quatro policiais. No massacre do Carandiru, 111 presos foram mortos por policiais após uma rebelião no pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo. O governador Cláudio Castro disse que a contagem oficial ainda será feita pelo IML.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro diz que há 132 mortos após a megaoperação contra o Comando Vermelho. Moradores do Complexo da Penha, na zona norte carioca, um dos locais onde houve a operação, levaram ao menos 60 corpos para a praça São Lucas durante a madrugada e o início da manhã de ontem.
A megaoperação no Rio de Janeiro, defendida como um sucesso pelo governador Cláudio Castro (PL), também é considerada a mais letal da história do Estado. A ofensiva envolveu 2,5 mil policiais, blindados e helicópteros para avançar sobre um território dominado pelo crime organizado. O CV chegou a usar drones com bombas ao reagir.
As outras duas ações policiais com mais mortes na história do Rio também aconteceram durante os governos de Cláudio Castro: 23 mortos na Penha, em 2022, e 28 mortos no Jacarezinho, em 2021.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou “estarrecido” e “surpreso” com o número de mortes na operação. A declaração do ministro foi feita em declaração à imprensa após reunião de emergência convocada por Lula, no Palácio da Alvorada.
Segundo Lewandowski, não foi discutida na reunião no Alvorada a adoção da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), dispositivo constitucional privativo ao presidente que dá poder de polícia às forças armadas, porque não houve um pedido do governo do Rio sobre o tema. Segundo o ministro, a GLO é uma operação “complexa” e precisa ter, segundo a legislação, um reconhecimento do Estado do Rio de que as forças locais são incapazes de enfrentar o crime organizado.
Governador
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, disse ontem que as únicas vítimas da megaoperação são os policiais mortos. A declaração foi dada em coletiva de imprensa, logo após a Defensoria Pública do Rio de Janeiro afirmar que há ao menos 132 mortos na ação contra o Comando Vermelho.
“Aquelas foram as verdadeiras quatro vítimas. De vítimas, ontem (na terça-feira), só tivemos os quatro policiais”, afirmou o governador. Ele falou sobre a contagem dos mortos. “Nossa contabilidade começa na hora que esses corpos entram no IML. Não contabilizamos por imagem, foto. A Polícia Civil tem uma responsabilidade enorme de saber quem era cada uma dessas pessoas. Eu não posso fazer balanço antes de todos entrarem”, disse Castro.
Mais cedo, à uma emissora de TV, o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, disse que os cadáveres levados pelos moradores do Complexo da Penha à praça São Lucas não estavam na contagem. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)
Escolas e universidades ficam sem aula no dia seguinte à operação
Pelo menos quatro universidades e 55 escolas do Rio de Janeiro não tiveram aulas presenciais ontem (29), dia seguinte a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV). A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) suspendeu aulas e atividades administrativas presenciais, exceto as consideradas essenciais, durante todo o dia nos campi localizados na capital fluminense e em Duque de Caxias, na Região Metropolitana do Estado.
A mesma decisão foi tomada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que suspendeu as atividades em Niterói (RJ).
A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro informou que seis unidades escolares suspenderam as aulas. Em meio ao caos vivido na capital fluminense na terça-feira, o número de escolas sem aulas na rede estadual chegou a 35. “Destacamos que os diretores das unidades possuem autonomia para abertura e fechamento dos colégios a fim de garantir a integridade dos alunos e servidores e que o conteúdo pedagógico será reposto”, afirmou. (Estadão Conteúdo)
Alcolumbre determina instalação de CPI do crime organizado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima terça-feira (4) a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a estrutura e o funcionamento do crime organizado.
A decisão vem depois da operação policial no Rio de Janeiro contra a organização criminosa Comando Vermelho. O presidente do Senado voltou a defender a união das instituições públicas contra as organizações criminosas. “É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o País”, afirmou.
Governadores de direita organizam uma comitiva para ir ao Rio de Janeiro e prestar apoio ao governador Cláudio Castro (PL), após a megaoperação policial. O governador se queixa da falta de empenho do governo federal, enquanto o Palácio do Planalto enxerga uma tentativa de politizar o tema em meio à proximidade das eleições.
Os governadores também devem usar a oportunidade para pressionar o Congresso a aprovar o projeto que equipara facções criminosas a terroristas. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)