Alerta geral
Uma em cinco garrafas de uísque ou vodca é falsificada
Dado consta de estudo feito para a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD)
Uma a cada cinco garrafas de uísque ou de vodca vendida no Brasil é falsificada. O dado consta em um estudo realizado em 2024 pela Euromonitor International para a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD). O número de notificações por suspeita de intoxicação por metanol cresce a cada dia no Brasil.
Ontem (3), a Bahia informou o registro da primeira morte suspeita de contaminação pela substância. A vítima é um motorista de 56 anos. Ele deu entrada na UPA da Queimadinha no dia 28 de setembro e morreu na madrugada de ontem. As ocorrências começaram a surgir no Estado de São Paulo e já atingem outras regiões. Bares e restaurantes estão avisando os clientes sobre a procedência das bebidas.
Além da Bahia, havia ontem 53 casos em São Paulo, 6 em Pernambuco e 1 no Distrito Federal e no Paraná. O levantamento da Euromonitor International ainda aponta que 28% do volume de bebidas destiladas comercializadas no Brasil são objetos de crimes como sonegação fiscal, contrabando ou descaminho, falsificação e produção sem registro.
Os dois principais métodos de falsificação, comumente encontrados no mercado, são o “refil” de garrafas de marcas reconhecidas utilizando produtos de baixo custo ou a falsificação a partir do uso de álcool impróprio (metanol) para consumo humano, colocando em risco a saúde dos consumidores.
A discrepância de preços é o principal atrativo: durante o estudo, foi identificado que produtos falsificados são, em média, 35% mais baratos. Em venda on-line, o preço do uísque falsificado chega a ser até 48% mais barato que o original.
João Garcia, gerente de consultoria da Euromonitor, aponta fatores que mantêm o ilícito relevante na categoria de bebidas: a alta carga tributária, a dificuldade de fiscalização em grandes territórios, a sofisticação crescente das redes criminosas e a disseminação de canais de venda informais e digitais que ajudam no escoamento desses produtos.
A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem provocar a morte.
O Procon-SP informou que fiscaliza estabelecimentos que vendem bebidas como bares, restaurantes e adegas, bem como casas noturnas e supermercados em geral. E vai intensificar suas ações de forma integrada com equipes do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), da Polícia Civil de SP.
Indústrias de três Estados foram alvo ontem de fiscalização da Polícia Federal por suspeita de venda de bebida adulterada. A ação ocorreu em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em Campinas, no interior de São Paulo; Chapecó e Joinville, em Santa Catarina; e Poços de Caldas, em Minas Gerais. Amostras dos produtos produzidos e armazenados serão encaminhadas a laboratórios para análise químico-sanitária.
Na quinta-feira (2), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou que a população evite o consumo de bebidas alcoólicas destiladas. “Na condição de ministro e como médico, a recomendação é que se evite ingerir produto destilado, sobretudo os incolores, que você não tenha absoluta certeza da origem. Não estamos falando de um produto essencial para a vida das pessoas” recomendou Padilha.
Antídoto
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acionou autoridades reguladoras internacionais para garantir a disponibilidade do medicamento fomepizol, indicado como antídoto para intoxicação por metanol. Também foi publicado um edital para identificar fabricantes e distribuidores internacionais com disponibilidade imediata de fornecimento do medicamento ao Ministério da Saúde.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que está disponibilizando 2 mil ampolas de álcool etílico absoluto para o tratamento de pacientes com intoxicação por metanol. Já havia 500 unidades em estoque. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo e Agência SP)