Gabinete de crise
SP investiga 5 mortes por intoxicação com metanol
Polícia Federal vai apurar se houve distribuição de bebidas contaminadas para outros Estados
O Estado de São Paulo investiga cinco mortes e 15 casos de contaminação com suspeita de intoxicação por metanol. O governo paulista também vai fechar estabelecimentos suspeitos de vender bebidas contaminadas e descartou envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas adulterações. Um gabinete de crise foi criado para enfrentar a série de casos de intoxicações. A medida foi anunciada ontem (30) pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes.
A hipótese de elo com a facção foi levantada pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação. No domingo (28), a entidade havia apontado que a substância usada para adulterar as bebidas poderia ser a mesma importada ilegalmente pela facção para ser misturada nos combustíveis.
Na segunda-feira (29), mais de cem garrafas foram apreendidas na Mooca e nos Jardins. Um dos alvos da ação foi um bar na alameda Lorena, nos Jardins, onde uma das vítimas disse ter consumido bebida alcoólica antes de passar mal e perder a visão. Ela continua hospitalizada.
O endereço é citado no boletim de ocorrência registrado por familiares da vítima. As autoridades não divulgaram a lista de estabelecimentos suspeitos — são três e ao menos dois terão o bloqueio temporários pelas autoridades.
Os primeiros sintomas da intoxicação por metanol aparecem logo após a ingestão da substância, geralmente usada ilegalmente para adulterar bebidas alcoólicas como gim, uísque e vodca.
Polícia Federal
O governo federal anunciou que a Polícia Federal abriu inquérito para investigar a contaminação de bebidas alcoólicas com metanol. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que pediu a abertura do inquérito após indícios de que haja distribuição de bebidas contaminadas para outros Estados.
“No momento, (as ocorrências) estão concentradas em São Paulo, mas tudo indica que há distribuição para além do Estado”, disse o ministro.
Os casos recentes de contaminação por metanol registrados no Estado de São Paulo apresentam um padrão inédito, pois antes as ocorrências eram associadas a pessoas em extrema vulnerabilidade ou população em situação de rua. Segundo o Ministério da Saúde, “os pacientes intoxicados (agora) apresentaram histórico de ingestão de bebidas alcoólicas destiladas em cenas sociais de consumo alcoólico, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebida.” (Estadão Conteúdo)