Julgamento
Oposição diz que STF faz ‘teatro’ e quer votar anistia na Câmara
Para eles, o julgamento de Bolsonaro e mais sete réus é combinado para condenar o ex-presidente e os demais
A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara dos Deputados disse esperar que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), “cumpra a palavra” e paute a anistia aos envolvidos nos atos golpistas do 8 de Janeiro, para também beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Deputado Federal Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, diz que grupo também planeja manifestações em todas as capitais do Brasil no 7 de Setembro. “Um homem tem palavra. A gente acredita que chegou a hora de ele (Motta) cumprir a palavra", disse. “Cabe ao Congresso pautar uma pauta que pode pacificar o nosso País.” Deputados oposicionistas se reuniram no apartamento funcional de Zucco em Brasília para definir estratégias nesta semana. Para eles, o julgamento de Bolsonaro e mais sete réus que o Supremo Tribunal Federal (STF) conduz é um “teatro” de jogo combinado para condenar o ex-presidente e os demais.
Em razão disso, dizem eles, parlamentares não deverão estar massivamente presentes durante todo o julgamento. “A gente sabe que ir para esse julgamento é só assistir a um teatro. A gente tem sim intenção de sim acompanhar a fala do presidente Bolsonaro ou o voto dos ministros”, disse Zucco.
Analistas do Estadão avaliam que não há sustentação o suficiente para a anistia ser pautada. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), declarou que Motta não vai levar ao plenário a proposta de anistia. “Estive com o presidente Hugo Motta e posso antecipar que essa discussão da anistia não vai ser pautada. Vamos ter uma pauta tranquila essa semana”, afirmou.
Apesar disso, Lindbergh confirmou as movimentações da oposição, ao criticar a costura feita entre setores da oposição para que o debate sobre o tema seja retomado após o julgamento, mencionando a visita do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a Bolsonaro, e a articulação que envolve o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No fim do mês passado, em evento em Cuiabá (MT), o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, disse que não há anistia sem julgamento e condenação e que, após esta etapa, a questão passa a ser política, a ser definida pelo Congresso. (Estadão Conteúdo)