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Explosões

PF investiga ataque ao STF como ação terrorista

Homem que provocou explosões também deixou "armadilha" para policiais

14 de Novembro de 2024 às 23:28
Cruzeiro do Sul [email protected]
Forças policiais reforçaram a segurança em Brasília
Forças policiais reforçaram a segurança em Brasília (Crédito: FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL (14/11/2024))

A Polícia Federal investiga como uma “ação terrorista” o ataque frustrado de um homem que, na quarta-feira (13) à noite, provocou explosões em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília. Ele morreu em uma das explosões.

O corpo do homem identificado como Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, foi retirado ontem (14) da praça dos Três Poderes, onde também ficam o Palácio do Planalto e o Congresso. A ação não deixou outras vítimas. Francisco foi candidato a vereador pelo Partido Liberal (PL) no município de Rio do Sul, em Santa Catarina, nas eleições municipais de 2020, mas não foi eleito. Em seu perfil no Facebook, ele reproduzia teorias conspiratórias como o QAnon, populares na extrema-direita americana.

O ataque ocorreu antes de o Brasil sediar a cúpula dos líderes do G20 no Rio de Janeiro, na próxima semana, e de uma visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, a Brasília.

Francisco também deixou um explosivo na gaveta do local onde estava hospedado, na Ceilândia, no entorno de Brasília. O dispositivo provocou “explosão gravíssima” quando um robô antibombas foi usado para abrir o compartimento. Para a Polícia Federal, Francisco premeditou o ato ao montar uma armadilha para agentes que fariam a perícia no imóvel.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em entrevista ontem (15) que há indícios de que a armadilha foi deixada de forma proposital.

“Não é razoável pessoas cometerem atos terroristas, tentarem contra um Poder do Estado, tentarem vitimar policiais. (O autor do ataque) sabia que policiais iam a sua residência e deixou lá um artefato para matar policiais que ingressariam”, disse. Francisco, conhecido como Tiu França em Rio do Sul, morava no local há pouco mais de três meses.

Em um espelho da casa, o autor do atentado deixou mensagem com alusão aos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele mencionou Débora Rodrigues, a mulher que pichou a estátua da Justiça em 2023 e acabou condenada. Francisco escreveu que não se deveria desperdiçar “batom” com a estátua, mas dinamite.

Anistia

Andrei Passos, disse “não ser aceitável” propor anistia a pessoas que atentam contra o Estado Democrático de Direito. O diretor-geral da PF afirmou que faz “coro” às palavras do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que mais cedo mandou recado ao Congresso sobre a proposta de anistia aos envolvidos na invasão dos prédios dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023, em tramitação na Câmara, dizendo não ser possível pacificação com “anistia a criminosos”.

“Não é razoável pessoas cometerem atos terroristas, tensionarem, assassinarem, atentarem contra um Poder. Tentar vitimar policiais, porque ele sabia que policiais iam na sua residência e deixou um artefato para matar os policiais que ingressaram na residência”, declarou. O diretor-geral da PF relatou que a equipe entrou com um robô na casa onde o homem se hospedou em Ceilândia. Esse robô antibombas, ao abrir gavetas na residência, causou uma “explosão gravíssima”, nas palavras de Passos.

O diretor-geral da PF confirmou que há relatos da ex-mulher de Francisco de que o alvo seria o ministro Alexandre de Moraes. “O áudio (da ex-esposa do autor do atentado) é muito categórico, e há outras mensagens de redes sociais, inclusive enviadas ao STF ameaçando a Corte como um todo. A fala da senhora é que o alvo dessa pessoa era o ministro Alexandre de Moraes”, completou.

Passos também afirmou que o governo brasileiro já trabalha “com o nível de segurança mais elevado possível” para o encontro da cúpula do G20, a ser realizado no Rio de Janeiro.

“Nós já trabalhamos com o nível de segurança mais elevado possível pelo nível das autoridades estrangeiras que aqui estarão”, declarou o diretor-geral da PF. (Estadão Conteúdo e AFP)