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Manifestações

Balanço do Ministério da Justiça aponta a prisão de 1.700 manifestantes

Polícia Federal busca empresários que financiaram a invasão

10 de Janeiro de 2023 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Soldados do exército desmontam acampamento de manifestantes, em Brasília
Soldados do exército desmontam acampamento de manifestantes, em Brasília (Crédito: MAURO PIMENTEL/AFP)

Os atos de invasão aos prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto resultaram na prisão de 209 pessoas em flagrante, no domingo (8), e de mais 1,5 mil nesta segunda-feira.

Os detidos de ontem (9) participavam do acampamento no entorno do Quartel-General do Exército, em Brasília. O balanço foi divulgado pelo Ministério da Justiça. Eles ficarão detidos na Academia Nacional de Polícia Federal. Cinquenta equipes da PF identificam e ouvem os detidos.

O ministro da Justiça, Flávio Dino afirmou que eles poderão ser enquadrados de forma múltipla em crimes, entre eles: golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, dano qualificado, associação criminosa e lesão corporal.

‘O País caminha para absoluta normalização institucional com muita velocidade. Tanto entre autoridades civis quanto militares reina a plena importância quanto à proteção da democracia‘, disse Dino. ‘Vivemos ontem o Capitólio brasileiro, com duas diferenças, não tivemos óbitos e temos muito mais presos aqui do que lá. Mas não tenham dúvida de que vivemos o Capitólio brasileiro.

As instituições sobreviveram a este vil ataque político.‘ A comparação com o episódio de 8 de janeiro em Brasília é direta com o ataque ao Capitólio, o Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021, para impedir a posse de Joe Biden na Casa Branca.

Dino afirmou que o objetivo dos atos era ‘gerar um efeito dominó‘ para produzir um ‘quadro de anomia‘ que propiciasse ‘novas aventuras‘. ‘As Forças Armadas brasileiras até aqui se mantiveram fiéis à legalidade democrática. Esse é um fato que deve ser saudado. De um modo geral, eu diria que o pior passou‘, disse Dino.

Dino saiu em defesa do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro , e afirmou que o colega de Esplanada não deve ser ‘martirizado‘. Múcio tem sido criticado dentro e fora do governo. Ele discordava de Dino e pregava a necessidade de conduzir uma retirada negociada e não à força de grupos bolsonaristas, entre eles extremistas e defensores de intervenção militar, que ocuparam o entorno de quartéis no País em rechaço à eleição de Lula.

‘Não pode ser posta em dúvida a sinceridade, a lealdade e a correção de Múcio‘, afirmou o ministro Dino. O ministro disse que o discurso de ódio das redes sociais ganhou no domingo braços, pernas, pedras, tiros e bombas.

A Polícia Federal já realizou perícias no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, para instrução de inquéritos civis e criminais. Segundo o ministro, a Advocacia-Geral da União (AGU) vai promover ações para reparação de danos ao patrimônio público.

Essas perícias vão dimensionar os danos e prejuízos ‘para que a AGU cobre indenização de quem perpetrou danos materiais, alguns irreparáveis, ao edifício-sede (da Presidência) e ao patrimônio histórico tombado‘. O governo federal recebeu de policiais militares de 10 Estados, um reforço no contingente da Força Nacional de 500 homens, para proteção da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes. Dino afirmou que os atos eram financiados e que os ônibus contratados são um dos meios de investigar os responsáveis.

Quarenta ônibus foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal, alguns tentando escapar de Brasília por rodovias federais. Ao menos uma arma de fogo foi apreendida. A PRF desbloqueou na noite de domingo, sem que houvesse resistência, nove estradas que haviam sido parcialmente obstruídas, em sequência aos atos.

A Polícia Federal já identificou, em dez Estados, suspeitos de elo econômico com os ataques em Brasília. Os nomes não foram divulgados para não atrapalhar as investigações. Os suspeitos teriam financiado a contratação de ônibus e material para levar extremistas à capital federal e devem agora ser alvo de medidas cautelares, requisitadas pela Polícia Federal. (Da Redação com informações Estadão Conteúdo)

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