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Internacional

Bolsonaro exalta ações contra desmatamento e elogia Biden

Na Cúpula das Américas, presidente reitera pautas ideológicas

11 de Junho de 2022 às 00:01
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Presidentes se mostraram amistosos após a foto oficial.
Presidentes se mostraram amistosos após a foto oficial. (Crédito: ANNA MONEYMAKER / GETTY IMAGES / AFP)

Diante de líderes das Américas, na manhã de ontem (10), o presidente Jair Bolsonaro se defendeu de acusações a respeito do desmatamento da Amazônia, disse estar “maravilhado” com o americano Joe Biden e reiterou as pautas ideológicas do seu governo -- como defesa da família, dos militares e de liberdades de expressão e religiosa.

Criticado pela comunidade internacional durante os primeiros anos de seu mandato pelo afrouxamento dos controles de desmatamento e aumento nos índices de queimadas na Amazônia, Bolsonaro usou boa parte do discurso para falar da preservação da Floresta. “Somos um dos países que mais preserva o meio ambiente e suas florestas. Mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para pecuária e agricultura somos uma potência agrícola e sustentável. Não necessitamos da região amazônica para expandir nosso agronegócio”, afirmou.

Desde que Biden tomou posse, o governo brasileiro foi pressionado a mudar sua política ambiental e a se comprometer com ações concretas para redução do desmatamento. Em abril do ano passado, Brasília fez uma inflexão na sua retórica ambiental durante a Cúpula Climática promovida por Biden e, desde então, os americanos têm elogiado nos bastidores o compromisso do governo brasileiro sobre o assunto.

“Os nossos desafios são proporcionais ao nosso tamanho. Lembro que a área da região amazônica equivale à toda Europa Ocidental”, justificou Bolsonaro, que afirmou que o Código Florestal deveria “servir de exemplo” a outros países.

Fã declarado do ex-presidente americano Donald Trump, Bolsonaro repetiu -- desta vez em frente aos demais presidentes e diplomatas da região -- que ficou “maravilhado” com Joe Biden. “A experiência de ontem (quinta, 9) como a de Biden foi simplesmente fantástica. Estou realmente maravilhado e acreditando em suas palavras e naquilo que foi tratado reservadamente”, disse.

O presidente contou aos presentes que, além da bilateral com o americano, manteve uma conversa reservada com Biden. Bolsonaro também quis demonstrar que os dois mantiveram proximidade e afirmou que ficaram sentados em uma distância inferior a um metro e “sem máscara”, apesar de não estar vacinado contra Covid.

O encontro entre os dois em Los Angeles foi costurado a contragosto por ambos. Biden se curvou à ideia de convidar Bolsonaro para um encontro bilateral diante do risco de sediar uma Cúpula das Américas esvaziada e depois de assistir a aproximação de Bolsonaro e de Alberto Fernández (Argentina) a Vladimir Putin, às vésperas do início da guerra na Ucrânia.

O presidente brasileiro também incluiu no discurso falas que reforçam as bases ideológicas de seu governo, como costuma fazer desde os pronunciamentos perante os presentes na Assembleia-Geral da ONU. “Atualmente vemos ataque claro às liberdades individuais”, afirmou Bolsonaro. “Afirmamos que temos um governo que acredita em Deus, respeita os seus militares, é favorável à vida desde sua concepção, defende a família e deve lealdade a seu povo”, disse.

Biden não estava no local. O governo americano foi representado pelo Secretário de Estado, Antony Blinken. (Estadão Conteúdo)