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7 de setembro

Bolsonaro dá ultimato a Supremo Tribunal Federal e ao TSE

Diante de multidão de apoiadores na Paulista, presidente diz que não vai mais acatar decisões de Moraes

07 de Setembro de 2021 às 19:11
Cruzeiro do Sul [email protected]
Presidente discursa em manifestação de apoiadores em SP
Presidente discursa em manifestação de apoiadores em SP (Crédito: )

Atos em comemoração ao Dia da Independência e em apoio ao governo Bolsonaro levaram, nesta terça-feira (7), milhares de pessoas às ruas de pelo menos 16 cidades do País.

Com a presença do presidente Jair Bolsonaro em ambos os eventos, as comemorações pelo 7 de setembro tiveram início em Brasília (leia ao lado) e terminaram em São Paulo.

Um ato na Avenida Paulista reuniu na parte da tarde dezenas de milhares de apoiadores do presidente. Grande parte dos manifestantes usava peças verde-amarelas, além de carregar faixas e bandeiras do Brasil. Havia também carros de som em trecho da avenida com maior concentração de pessoas.

Os participantes se posicionaram contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns portavam faixas defendendo o impeachment dos ministros da Corte e outros chegaram a pedir a intervenção militar no País.

Após participar do ato em Brasília, Bolsonaro embarcou para São Paulo, aonde chegou às 15h30. Do alto de um carro de som, o presidente discursou: "Não vamos mais admitir [que] pessoas como Alexandre de Moraes continuem a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa Constituição. Ele teve todas as oportunidades para agir com respeito a todos nós, mas não agiu dessa maneira como continua a não agir", disse. 

Sobre o modelo das eleições no país, ele se dirigiu a Luís Roberto Barroso, presidente do TSE. "Nós queremos eleições limpas, auditáveis e com contagem pública. Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral", disse. "A alma da democracia é o voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança por ocasião das eleições. Não é uma pessoa do TSE que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável", disse Bolsonaro.

Ele voltou a responsabilizar governadores e prefeitos. "Vocês passaram momentos difíceis com a pandemia [de covid-19], mas pior que o vírus foram as ações de alguns governadores e alguns prefeitos, que simplesmente ignoraram a nossa Constituição, em especial os incisos do Artigo 5º, onde tolheram a liberdade de expressão, tolheram o direito de ir e vir, proibiram vocês de trabalhar e frequentar templos e igrejas para sua oração." 

O presidente cumprimentou os manifestantes: "Neste momento, quero mais uma vez agradecer a todos vocês, agradecer a Deus pela minha vida e pela missão, e dizer àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá."

Tanto o ministro Alexandre de Moraes quanto Luís Roberto Barroso se pronunciaram hoje nas redes sociais por ocasião do 7 de Setembro, antes do discurso do presidente Bolsonaro. Barroso pediu que sejam garantidas no país "eleições livres, limpas e seguras" e que não haja "volta ao passado". Já Moraes defendeu "absoluto respeito à democracia".

Balanço

Manifestantes contrários ao presidente também se reuniram em São Paulo nesta terça-feira, no  Vale do Anhangabaú. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, cerca de 140 mil pessoas participaram dos dois atos, sendo 125 mil pessoas na região da Paulista e 15 mil no Anhangabaú. Segundo o órgão, a estimativa do público foi feita a partir de imagens aéreas, análise de mapas e georreferenciamento.

Entre as ocorrências policiais, uma pessoa ficou ferida após a queda de um drone ilegal na Avenida Paulista, uma foi encaminhada ao Distrito Policial (DP) por porte de arma branca e outra por porte de sinalizadores e fogos de artifício. Dois criminosos que furtavam celulares foram presos na região da Paulista (dez aparelhos foram recuperados).

Além disso, uma pessoa flagrada com apetrechos para a confecção de coquetel molotov no Vale do Anhangabaú foi encaminhada ao 8º DP.

Críticas a ‘conflito entre Poderes’

Antes mesmo dos atos desta terça-feira (7), em comemoração ao Dia da Independência, algumas entidades se posicionaram em relação às manifestações. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). por exemplo, lançou carta aberta em que repudia a relação de conflito entre os Poderes da República e critica o “viés político adotado pela mais alta corte do Poder Judiciário”, o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi mais uma entidade ligada ao setor produtivo a se manifestar, desde que a tensão se elevou ainda mais entre o presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo.

O comando da Farsul afirma que vê com preocupação a “relação conflituosa” entre os poderes que, para a entidade, se caracteriza “pela absoluta deformidade do papel de cada um deles”. Assinado pelo presidente da federação, Gedeão Silveira Pereira, através do Conselho de Representantes, a nota ainda afirma que “para os produtores rurais é inegociável a integridade dos Poderes”.

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) divulgou carta, semana passada, em que cita um suposto “cerceamento à liberdade de expressão no País” provocado por “posicionamentos do Poder Judiciário”. A entidade é presidida pelo empresário Flávio Roscoe, aliado do presidente Bolsonaro. O documento faz ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos inquéritos que apuram as fake news e as supostas ameaças à democracia. A carta critica a “possibilidade de desmonetização de sites e portais de notícias que estão sendo acusados em inquéritos contra as fake news”.

Em agosto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o bloqueio de repasses de dinheiro de redes sociais para canais investigados por propagação de informações falsas sobre as eleições brasileiras, atendendo a um pedido da Polícia Federal.