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Bolsonaro diz que atos do dia 7 serão ‘ultimato para duas pessoas’

04 de Setembro de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo [email protected]
Presidente participou de evento no interior baiano.
Presidente participou de evento no interior baiano. (Crédito: WILSON DIAS / AGÊNCIA BRASIL)

O presidente Jair Bolsonaro ameaçou ontem (3) responder a ações consideradas por ele “inconstitucionais”. Convocando, mais uma vez, apoiadores a participar dos atos no dia 7 de setembro, ele também disse que as manifestações serão um “ultimato” a “duas pessoas” que estariam atrapalhando seu governo.

“Nós não precisamos sair das quatro linhas da Constituição. Ali temos tudo o que precisamos. Mas, se alguém quiser jogar fora das quatro linhas, nós mostraremos o que poderemos fazer, também”, declarou o chefe do Executivo, em cerimônia para assinar o contrato de concessão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), em Tanhaçu (BA). “Vamos derrotar aqueles que querem nos levar para o caminho da Venezuela, juntos seremos vitoriosos”, acrescentou.

Sem citar nominalmente os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerados pelo presidente seus inimigos políticos, Bolsonaro disse que “duas pessoas” precisariam entender o seu lugar.

“Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando a força do poder, queiram dar outro rumo para nosso País. O recado de vocês, povo brasileiro, nas ruas, na próxima terça-feira, dia 7, será um ultimato para essas duas pessoas”, declarou. “Eu duvido que aqueles um ou dois que ousam nos desafiar, desafiar a Constituição, desrespeitar o povo brasileiro, saberá voltar para o seu lugar (sic). Quem dá esse ultimato não sou eu, é o povo.”

Bolsonaro acusa Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de ter articulado, dentro do Supremo e da Câmara, a derrota da PEC do voto impresso, uma bandeira bolsonarista. Já Moraes foi responsável por incluir o presidente como investigado no inquérito das fake news.

Lembrando aos apoiadores presentes no evento na Bahia que já fez duas indicações ao Supremo -- o ministro Kassio Nunes Marques, já empossado, e André Mendonça, que ainda aguarda sabatina no Senado --, o chefe do Planalto defendeu a necessidade de “renovação” no Judiciário. “Tudo nessa vida é bom ter renovação”, afirmou. “O Supremo começa a ser renovado também. Segundo Bolsonaro, Mendonça é evangélico, “mas também é competente.”

CNBB responde

Em vídeo sobre o 7 de Setembro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) orientou os brasileiros a não se deixarem convencer por “quem agride os poderes Legislativo e Judiciário”, num recado ao presidente Jair Bolsonaro. “A existência de três Poderes impede totalitarismos, fortalecendo a liberdade de cada pessoa”, disse o presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo. “Independentemente de suas convicções político-partidárias, não aceite agressões às instituições que sustentam a democracia.”

Dom Walmor afirmou na mensagem que o País “está sendo contaminado por sentimento de raiva e de intolerância” e se opôs a uma série de bandeiras e políticas de Bolsonaro, entre elas o incentivo e a facilitação da compra de armas de fogo por civis. “Muitos em nome de ideologias dedicam-se a agressões e ofensas, chegando ao absurdo de defender o armamento da população. Quem se diz cristã ou cristão deve ser agente da paz, e a paz não se constrói com armas”, disse o clérigo. (Estadão Conteúdo)