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PF mira grupo que desvia criptomoedas

06 de Julho de 2021 às 00:01
Da Redação com Estadão Conteúdo
Criptomoedas foram lançadas há pouco mais de dez anos.
Criptomoedas foram lançadas há pouco mais de dez anos. (Crédito: Jack Guez / AFP)

A Polícia Federal deflagrou na manhã de ontem a Operação Daemon para investigar um grupo ligado a três corretoras de criptomoedas sob suspeita de ter operado “um verdadeiro esquema de pirâmide financeira” e desviado R$ 1,5 bilhão -- valor devido a 7 mil credores no âmbito de processo de recuperação judicial. A ofensiva investiga supostos crimes de estelionato, lavagem de capitais, organização criminosa, além de delitos contra a economia popular e o sistema financeiro nacional.

Um efetivo de 90 policiais federais cumpriram cinco mandados de prisão -- um de prisão preventiva e quatro de prisão temporária -- e vasculharam 22 endereços em Curitiba e na região metropolitana da capital paranaense. As ordens foram expedidas pela 23ª Vara Federal de Curitiba (PR), que ainda decretou o sequestro de imóveis e bloqueio de valores de investigados.

De acordo com a PF, foram presos na ofensiva o suposto líder do grupo, sua esposa, uma “companheira” que teria atuado como sua laranja, seu “funcionário de confiança” e ainda uma pessoa que teria ajudado a dilapidar o patrimônio do investigado. A corporação indicou que durante as diligências foram apreendidos veículos avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões, além de joias, relógios e valores em espécie.

As apurações que culminaram na Operação Daemon tiveram início em 2019, pela Polícia Civil do Paraná, em razão de denúncias de vítimas. Naquele ano, o grupo empresarial sob suspeita bloqueou todos os saques de valores das plataformas das corretoras, sob a alegação de ter sido vítima de um ataque hacker. Os administradores prometeram aos clientes o ressarcimento dos valores depositados, mas tais débitos não foram quitados.

As alegações dos investigados sobre o ataque hacker chegaram a ser alvo de apuração da Polícia Civil, mas os investigadores apontaram que, na verdade, havia indícios de que os donos das corretoras de criptomoedas teriam praticado crimes de estelionato, quadrilha e contra a economia popular. Após o desfecho de tal investigação, o grupo sob suspeita obteve um pedido de recuperação judicial, diz a PF.

Já em 2020, foi identificado que o grupo oferecia ao público contratos de investimento coletivo sem registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e assim as investigações foram deslocadas para a PF. A partir de tal momento a corporação passou a apurar possível prática de crime contra o sistema financeiro nacional , sendo que com o aprofundamento das investigações, os investigadores dizem ter observado que o “grupo empresarial teria operado um verdadeiro esquema de pirâmide financeira”. (Da Redação com Estadão Conteúdo)