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CPI da Covid

CPI quebra sigilo de dois ex-ministros

11 de Junho de 2021 às 00:01
Da Redação com Estadão Conteúdo
Aprovação foi para quebra de sigilos telefônicos e telemáticos.
Aprovação foi para quebra de sigilos telefônicos e telemáticos. (Crédito: EDILSON RODRIGUES / AGÊNCIA SENADO)

Na principal medida tomada até agora para investigar se houve falhas na atuação do governo federal no combate à pandemia, a CPI da Covid aprovou ontem a quebra do sigilo telefônico e telemático de pessoas ligadas ao presidente Jair Bolsonaro e integrantes do chamado “gabinete paralelo”. O grupo assessorou o chefe do Palácio do Planalto incentivando o discurso antivacina e favorável ao tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus, como cloroquina.

A lista dos que terão seus dados abertos inclui os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújo (Itamaraty) e do assessor especial da Presidência, Filipe Martins. Além disso, a CPI pediu acesso a informações de empresas que receberam recursos públicos e tiveram aumento de vendas de cloroquina.

As medidas foram aprovadas no mesmo dia em que estava previsto o depoimento do governador do Amazonas, Wilson Lima, que não foi à CPI após uma decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), livrando o chefe do Executivo estadual de comparecer na comissão. A determinação abre caminho para que o mesmo ocorra com os outros oito governadores convocados, deixando o foco do desgaste para Bolsonaro.

Integrantes da CPI querem identificar contatos e informações que reforcem as provas apontando a atuação de Bolsonaro para atrasar o acesso do Brasil às vacinas e distribuir medicamentos contrariando evidências científicas.

O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), disse ao Estadão/Broadcast que as quebras de sigilo poderão dar acesso às provas mais robustas da investigação contra Bolsonaro. Uma das possibilidades é apontar crime do presidente no chamado tratamento precoce. “Teve cloroquina a torto e a direito. A troco do que, ninguém sabe. E agora o presidente disse que vai recomendar ao Queiroga fazer um decreto para quem já foi vacinado ou teve covid não usar máscara. É brincadeira”, afirmou o senador.

No total, serão solicitadas informações telefônicas, como ligações realizadas e recebidas, e telemáticas, como dados de acesso e troca de mensagens, de 19 pessoas. Além dos ex-ministros, a CPI da Covid aprovou a quebra do sigilo do auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Costa Silva Marques, autor de um estudo paralelo que questionou o número de mortes por Covid-19 no País e foi usado por Bolsonaro, sendo desmentido pelo próprio TCU.

A CPI da Covid começou a apurar possíveis ganhos indevidos de farmacêuticas com a venda de medicamentos sem eficácia comprovada para o novo coronavírus e incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro. (Da Redação com Estadão Conteúdo)